quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Toda a diferença...


O DN de ontem voltou a apresentar um trabalho sobre a LFR e principalmente sobre os resultados da execução dessa lei aprovada em 2007.
Nesta matéria, o DN apresenta alguns números como sendo meus, da minha autoria. Ora, não são. E não podiam ser porque a avaliação da LFR não é abstracta. Os dados que apresentei foram retirados dos mapas dos Orçamentos de Estado relativos aos anos 2004,2005,2006,2007,2008 e 2009. Da minha parte, limitei-me a somar os valores de 3 anos antes da LFR  (portanto as transferências com a lei antiga)e 3 anos com a LFR (portanto os resultados da nova lei) e chegar às conclusões factuais, baseado em dados oficiais.
Mas, apesar de tudo, também podia ter chegado à mesma conclusão do ministério das finanças que afirma que em 2008 a Madeira recebeu mais 10 milhões que em 2004, porque esse é outro dado factual, está no mapa das transferências dos orçamentos de estado respectivos (2004 e 2008).
Mais ainda. Poderia fazer outras comparações e afirmar factualmente que no primeiro ano da nova LFR (2007) a Madeira recebeu mais 6 milhões que no ano anterior (2006). O dado não é meu, está no mapa do Orçamento de Estado.
 Ora, mas o que definitivamente não é factual, nem sequer está explicado ou sustentado pelo PSD são os famigerados 200 milhões que hipoteticamente a Madeira perdeu. Ora vale a pena perguntar:
-perdeu como?
-com base em quê?
-onde estão os factos que demonstram perdas dessa dimensão?
- já perdeu ou ainda pode vir a perder?
- se perdeu 200 milhões em 3 anos esses dados devem ser comparáveis e verificáveis, onde podemos ser esclarecidos?


Na verdade, a tal verdade dos números tem diferenças significativas e apresentá-los como se a sustentação que os suporta seja a mesma não é saudável para a verdade da política e da governação. 


publicado no DN Madeira



1 comentário:

Gonçalo disse...

Sobre um comentário feito à CIF

A Conferência Internacional do Funchal não se destinava, não tinha nem terá por objectivo discutir a cidade (ou uma qualquer cidade em concreto) ou a Região (ou outra qualquer Região em concreto). Destinava-se, e no futuro continuará a ser assim, a debater, no Funchal, grandes temas globais. Se pudesse ter estado lá, iria constatar a riqueza do debate e das opiniões veiculadas. O facto de vivermos numa ilha não nos deverá condicionar a debater, apenas, os nossos problemas. No actual "mundo plano" somos, para além de funchalenses e madeirenses, cidadãos de um país, de um continente e do mundo. Porque não sair da rotina habitual e debater os grandes temas que marcam a actualidade mundial? Não entendo por isso a sua observação. Para debater o Funchal e a Região existem já outros fóruns. Recentemente passámos por uma campanha eleitoral. Um momento de debate, ou não? O jornalismo que se faz na Madeira privilegia, como é expectável, a exposição e o debate sobre os temas locais (pode criticar-se a forma como o faz, mas isso é outra "luta"). Os partidos políticos dispõem de espaço para levantar problemas ou apresentar soluções locais. A Conferência Internacional do Funchal é, por isso, um espaço de debate diferente, que vai para além da obsessão, muito própria dos ilhéus, de resto, de considerar o nosso "pequeno mundo" como sendo o centro do universo. Para debater o local existem, repito, outros fóruns.