Sexta-feira, 3 de Fevereiro de 2012

Um plano fraudulento com sacrificios escondidos


O Plano de Jardim está sustentado na perspectiva de uma consolidação orçamental que corresponde a quase 13% do PIB (3 vezes mais que a consolidação do país, exigindo por isso o triplo da austeridade aos madeirenses). A consolidação orçamental significa proceder a medidas e instrumentos que assegurem o aumento da receita e a diminuição da despesa. Este plano tem nesta matéria um erro grave que não é de forma mas de consistência. Na verdade, o governo regional propõe um aumento de receita na ordem dos 127 ME. Nesta questão podemos sempre questionar se o efeito económico da redução da procura interna (consumo, investimento) não conduzirá a uma receita menor da que a esperada. Contudo, esta incerteza do programa, decorrente da fragilidade das previsões do lado da receita, são conhecidas e esperamos que o Governo rapidamente implemente uma agenda para o crescimento económico de modo a contrariar este aspecto.
Mas o que é grave neste plano de Jardim, e que o torna inútil e fraudulento, é que a sua sustentação está colocada em causa. Alberto João Jardim ludibriou o governo da república e escondeu dos madeirenses o seu verdadeiro propósito. Quando o PSD M sugere que a consolidação orçamental se fará sobretudo pela via da despesa, determina que baixará o investimento público em 400 ME, o que corresponde a 77% da redução da despesa. Ou seja na prática dos 522 ME que Jardim propõe baixar na despesa, 400 ME, segundo o PSD M, é de investimento público.
Mas é precisamente esta conclusão que não bate certo com a execução orçamental dos últimos 9 anos na Madeira em termos de investimento público e que escancar a pouca vergonha de Jardim e do PSD. Vejamos: entre 2002 e 2010 a média do investimento público foi de 410 ME, sendo que em 2009 foi de 273ME e em 2010 de 384 ME. Sabendo que o Governo Regional confirma que ainda irá executar 150 ME de investimento público, é difícil perceber como se diminui 400 ME de uma média de 411 e ainda se acrescenta 150 ME. Qualquer um percebe que é uma conta impossível de concretizar!

Esta situação é grave porque coloca em causa todo o programa e faz antever mais sacrifícios para os cidadãos porque, para cumprir o Plano, Jardim terá de reduzir 522 ME na despesa. Ora, como nunca poderá reduzir 400 ME no investimento e fazer mais 150 ME (simplesmente porque nunca executamos 550 ME de investimento) então serão as famílias a perder mais direitos, prestações sociais e a acumular mais sacrifícios de modo a alcançar a tal redução da despesa. Em última análise, Jardim prepara-se para aumentar ainda mais a receitas (impostos) se quiser cumprir com a consolidação orçamental pedida.
Trata-se de uma falha grave que coloca em causa o planeamento apresentado e revela a desonestidade de Jardim e do seu governo.

O PS-M espera ver esta matéria totalmente esclarecida porque não admitimos que, mais uma vez, AJJ minta aos madeirenses para salvar as suas clientelas e os seus jogos de poder. Também não aceitamos que Alberto João Jardim esconda, deliberadamente, sacrifícios superiores àqueles que colocou no plano e que apresentou aos madeirenses. Basta de aldrabice e de má fé. Não pouparemos aqueles que se mostrarem cúmplices desta fraude e desta mentira.

Nota: Execução orçamental do investimento público nos últimos anos em milhões de euros:
2002- 390
2003-341
2004-541
2005 - 455
2006 - 417
2007 - 383
2008 - 518
2009 - 273
2010 -384

Segunda-feira, 30 de Janeiro de 2012

Jardim transforma a Madeira na "casa dos horrores"


O Plano de Jardim é suicidário. É um plano injusto e impraticável. O Plano de Jardim vai transformar a Madeira na “casa dos horrores”.

Ninguém no seu perfeito juízo aceitaria este plano. É claro que o governo da república não o assinou, portanto não foi um acordo foi o caminho que Jardim e o PSD quis seguir.

O Presidente do Governo Regional mostrou não estar à altura dos acontecimentos (como avisamos várias vezes) e falhou em toda a linha: ganhou as eleições em Outubro, mas passados 3 meses teve a sua maior derrota mas, infelizmente, quem pagará a factura serão os madeirenses.

Algumas notas sobre o Plano de Jardim:

1)   a proposta de programação de Jardim para os próximos 4 anos é o principio do pior momento da história da Madeira

2)   a proposta apresentada por Jardim é apenas meia mentira para a solução que o PSD preconiza. Na verdade, o contrato de empréstimo da república portuguesa à RAM (1500 ME) é quase metade das necessidades. Isto significa que, seguramente, dentro de pouco mais de 1 ano o Governo Regional estará a renegociar novo empréstimo e a obrigar os madeirenses a mais sacrifícios.

3)   Depois de mentir antes das eleições, escondendo divida e as intenções relativamente ao futuro; depois de mentir depois das eleições afirmando que não aumentaria impostos nem taxas moderadoras, nem diminuía prestações sociais; voltou a mentir na apresentação do plano porque sabe que 1500 ME são manifestamente insuficientes

4)   O Plano de Jardim não encontra solução para o pagamento a fornecedores na dimensão necessária. Ainda por cima, os pagamentos à banca internacional têm prioridade em virtude do risco de incumprimento do país.

5)   Os problemas graves de financiamento das empresas não encontram nenhuma solução neste plano.

6)   Não há nenhuma agenda para o crescimento económico tornando este plano numa sentença às empresas!

7)   As reduções previstas do lado da despesa não estão bem explicadas, nem são exequíveis sem uma verdadeira perturbação social. Ninguém compreende como diminuir 550 ME de despesa num orçamento de 1200 ME. É cortar metade da despesa! Trata-se de um verdadeiro desvario programático.

8)   Os cortes na educação e na saúde fazem antever uma desestruturação destes serviços públicos, ainda por cima tendo em conta o estado a que o Governo PSD conduziu a governação nestas áreas. O Plano assume uma lógica de cortes cegos!

9)   O Plano de Jardim, é a sua boia de salvação mas para isso, traça uma estratégia para arruinar a classe média e média baixa: aumenta impostos, aumenta custos de transporte, aumenta combustíveis, aumenta taxas portuárias e transportes de mercadorias, aumenta todo o tipo de acesso ao serviço público, designadamente na saúde; por outro lado, reduz apoios à escola, reduz a acção social escolar, reduz prestações sociais, retira o subsidio de insularidade, reduz os salários. Trata-se de uma tempestade perfeita em cima do povo cujas consequências ainda não estão totalmente analisadas.

10)                   O Plano de Jardim entrega de bandeja a autonomia da RAM. Deixamos de ter um governo regional passamos a ter um capataz do Governo da República que nem autorização tem para mexer nas contas da Região. A Madeira nos próximos 4 anos passa a ser governada através de Lisboa.


11)                  Jardim, apenas quis assegurar a sua manutenção no poder e mostrou-se disponível para fazer isso a todo o custo. É por isso que o plano exige um choque fiscal nunca visto retirando 127 ME dos bolsos dos madeirenses mas não penaliza na dimensão apropriada o Sector Púbico Empresarial onde se refugia o clientelismo do Jardinismo; é por isso que o plano exige a redução de prestações sociais em 15 ME mas não acaba com diminui a despesa com o Jornal da Madeira e nem sequer avança qualquer solução, só porque se trata de um poderoso instrumento de propaganda; é por isso que o plano de Jardim apressa-se a despedir funcionários públicos e a reduzir ordenados mas não determina o fim do jackpot na ALRAM; é por isso que o plano de Jardim é severo com a saúde e a educação mas benevolente no desporto profissional, escolhendo o que lhe dá mais jeito;  


12)                  A austeridade no Plano de Jardim é ainda maior que a austeridade da carta de intenções. Passamos do dobro para o triplo da austeridade (a carta de intenções previa um ajustamento orçamental de 9,4% do PIB; o Plano de Jardim prevê 12,7%). Comparando com o ajustamento orçamental nacional, os madeirenses vão pagar três vezes mais que os continentais.

Funchal 30 de Janeiro de 2012

Quinta-feira, 12 de Janeiro de 2012

Deus nos livre


Desde o Verão do ano passado, altura em que o Presidente do Governo enviou uma carta ao Primeiro Ministro a solicitar assistência financeira, porque a sua gestão tinha conduzido a Região à falência, passaram mais de 5 meses. Um longo período que chegava para negociar com a troika pelo menos 3 memorandos de entendimento para o país inteiro, com entidades como o FMI, o BCE e a UE, mesmo auscultando toda a sociedade civil. Mas pelo contrário, o XI governo regional do PSD-M não  foi capaz de resolver um problema de gestão (financeira) da sua responsabilidade e que devia merecer todo os seu empenho e energia. Não foi capaz de apresentar soluções, debater propostas com a sociedade, gerar consensos, pedir o envolvimento de todos, em particular da Assembleia Legislativa da Madeira.  Pelo contrário, não apresentou soluções, escondeu o que tinha (se é que alguma vez teve alguma coisa!) e remeteu-se a uma silenciosa guerra de surdos com todos, incluindo o seu próprio partido, de cá e de lá. Assim, passados 5 longos meses, não temos nem acordo, nem soluções, nem dinheiro. Mas ao longo dos meses que passaram tivemos muitos insultos, muito falatório político, muitas irregularidades e muita prevaricação. Nada disto resolveu o problema principal: o dinheiro para cumprir responsabilidades e manter os serviços públicos em funcionamento. Pelo contrário, esta acção política descabida minou o ambiente necessário para uma solução razoável, adequada e proporcional à realidade da RAM. O posicionamento do Governo liderado por Alberto João Jardim isolou os madeirenses e tornou-nos vitimas inocentes de gente incapaz e irresponsável.
O Corolário deste processo rocambolesco foi uma carta de intenções que mais parece uma “sentença de morte”: desproporcional à nossa realidade, com medidas inqualificáveis e insuportáveis. Trata-se de uma “não solução” , que exige um esforço que os madeirenses, mesmo que quisessem, são incapazes de fazer. Deus nos livre se Jardim assina aquelas medidas!

publicado no DN

Sábado, 7 de Janeiro de 2012

O deslumbramento de JMR acaba numa estação de correios!


A carta de intenções do governo regional da Madeira ao governo da república é uma sentença de empobrecimento galopante a todos os madeirenses.  É claro que ainda é cedo para apurar a totalidade das consequências, até porque algumas das matérias são absolutamente genéricas e não permitem avaliar objectivamente os seus resultados. Contudo, em termos da receita orçamental não só a carta é muito objectiva como, em alguns casos, o PSD M já aprovou as referidas propostas na ALRAM, como é o caso do aumento do IRS e IRC.
Perante este cenário e as trapalhadas do PSD M e do Governo, quer no descalabro das finanças quer na incapacidade negocial, eis que tem surgido um ruído sistemático, aparentemente em prol do interesse da Madeira mas sempre  inconsequente e, e alguns casos, até contraproducente: referimo-nos às intervenções do CDS M.

O que nos parece muito preocupante é que um partido possa sofrer de dupla personalidade sistemática num descaramento sem qualquer desculpa. O último exemplo refere-se à alegada carta (mais uma ) enviada pelo líder do CDS, entretanto ausente em Lisboa enquanto a Madeira arde nas labaredas da crise financeira, ao Primeiro Ministro do seu próprio Governo. Sobre esta matéria importa clarificar o seguinte:

1)   o CDS M aprovou o OE e com isso assegurou, entre muitas outras coisas que prejudicam seriamente a Madeira, a alteração do IVA que tornará o sector da restauração e hotelaria muito menos competitivo, assegurando um aumento de 145% das taxas intermédias. A primeira pergunta é óbvia: se está contra esse aumento e se, ainda por cima, considera que “...não tem duvida que se trata de um duro golpe na economia e na qualidade de vida dos madeirenses...” porque razão votou a favor do OE? O OE foi o primeiro grande golpe do PSD /CDS aos madeirenses e é no mínimo confrangedor que um deputado esteja  sempre decisivamente contra na Madeira, mas inevitavelmente a favor em Lisboa e na AR...

2)   Mas a questão principal é que esta situação não é um caso isolado. Tem sido a prática política de JMR ao longo dos últimos 6 meses. Em Lisboa está a favor e na Madeira está contra. Foi assim com a tributação de dividendos e lucros na Zona Franca, foi assim com a suspensão das transferências financeiras para a Madeira, foi assim com a questão do IRS variável, foi assim com o investimento do estado na Madeira.  E nenhuma das cartas que escreveu chegaram sequer a ter resposta.

3)   Perante uma ofensiva aos madeirenses aprovada por JMR em Lisboa , o mesmo JMR responde com uma carta ao seu governo. O deputado do CDS escreve a ele próprio, num acto imaginário e virtual de criar o seu mundo político paralelo, procurando dizer aos madeirenses que apesar de ser governo às segundas, quartas e sextas, e nessa altura aprovar tudo o que prejudica os madeirenses, nada daquilo é para levar a sério, porque está contra si próprio às terças, quintas e sábados. Estamos perante um nível de demagogia que prejudica seriamente o estabelecimento de um entendimento consistente na oposição na Madeira em prol do interesse das populações, conforme seria desejável em termos do famigerado plano de resgate.

4)   Na verdade, o CDS defende agora em carta (?) um amento gradual do IVA, fazendo crer que esse é o melhor caminho. Naturalmente que a segunda pergunta deve ser se o CDS M considera adequado mandar às urtigas o principio da continuidade territorial, desde que seja de forma gradual?  Da parte do PS M não há condições para um IVA de 22% nem qualquer aumento gradual. O cenário realista é manter um diferencial adequado à realidade regional e encontrar outros caminhos de compensação.


5)   Finalmente, o CDS M manifesta-se junto do seu governo sobre a questão do IVA e nem uma palavrinha na referida carta sobre o aumento de transportes, sobre a introdução de taxas de racionalização na saúde, sobre os despedimentos da função pública, sobre os cortes cegos no investimento, sobre a tributação de dividendos, sobre a suspensão de transferências da república, entre outras. Fica a ideia de cartas selectivamente decididas num teatro político típico de associações recreativas de bairro.

6)    Enfim, o CDS M faz do seu cargo político na AR uma estação de correios cuja correspondência revela uma agenda bipolar de um partido que se envergonha de defender a Madeira em Lisboa, junto do seu partido, e esconde-se por detrás das cartas para consumo doméstico.

Sexta-feira, 30 de Dezembro de 2011

O plano de resgate à Madeira é uma equação impossível


Por enquanto, face ao que se conhece das intenções do Governo Regional, patrocinadas pelo PSD/CDS, o plano de resgate para a Madeira é uma equação impossível.
Depois do PSD M ter apresentado e aprovado a tempestade fiscal que retirará do bolso dos madeirenses mais 160 ME, com aumento nunca visto do IVA, do IRS, do IRC, do imposto sobre o tabaco e do ISP, portanto, isto significa, ter acertado no ajustamento das contas regionais em 160 ME pelo lado da receita;
depois do PSD/CDS ter aprovado um OE que retira à RAM quase 300 ME, entre suspensão de mais de 180 ME de transferências do estado, redução de receitas próprias para pagar as autarquias, redução de receitas fiscais por via do impacto das medidas que afectam o CINM e o fim dos subsídios de Férias e de Natal dos madeirenses;
 e tendo, finalmente, como certo que o ajustamento do lado da despesa para ser os tais 2/3 que o Senhor Secretário das Finanças tem falado, significará uma redução da despesa em pelo menos 320 ME em áreas cujos critérios ainda são desconhecidos mas que afectarão a educação e a saúde.

Sendo assim parece evidente que estamos perante um problema de solução impossível. Este caminho apresentado aos soluços, sem debate e discutido e acertado nas costas dos madeirenses não é só um caminho errado é antes um atalho condenado ao fracasso.
 Não é possível, nos termos que acabei de referir assegurar ao mesmo tempo o pagamento da divida e manter condições mínimas de subsistência à sociedade madeirense.
 O ajustamento no lado da receita é excessivo e não resultará os resultados pretendidos por causa do óbvio efeito económico e o ajustamento na despesa é dramático e atingirá os aspectos mais elementares da vida dos madeirenses designadamente a saúde (estas ainda por cima com taxas de racionalização) e educação, além de ignorar o definhamento da dinâmica empresarial.
 Com tudo isto a dimensão global do ajustamento será de 10% do PIB, contra apenas a exigência de 4,5% no plano nacional.  Esta desproporção, injusta e inexplicável, matará a economia madeirense! Para aqueles que ainda duvidam que estamos perante uma dupla austeridade estes factos demonstram a dimensão do problema.
 Em síntese, o plano conhecido e proposto pelo PSD M e patrocinado pelo PSD/CDS  é inviável, para o padrão da economia madeirense, e permite-me concluir que não estamos perante um plano de assistência financeira mas de um programa de dupla asfixia à Região: asfixia económica e asfixia social.

Terça-feira, 13 de Dezembro de 2011

A factura já está a ser entregue aos madeirenses

Há coisas inqualificáveis mas que demonstram o tipo de governo regional que temos. Esta agendado para Quinta Feira, na ALRAM, as primeiras aprovações do plano de sacrifícios que o Governo do PSD vai impor aos madeirenses, para pagar as suas asneiras. Tudo feito às escondidas, sorrateiramente para tentar passar despercebido e sem debate. Mas a verdade é que o PSD já anunciou o seguinte: Aumento do IVA para 23% (igual ao continente); aumento do IRC para os níveis do continente, para 25% e para 12,5% (empresas com menor volume de negócios); aumento do IRS para os níveis do continente; aumento de 15% dos transportes públicos; introdução de imposto de circulação (pagamos todos o desnorte das PPP); e derrama sobre todas as empresas do Funchal. Já anunciado, mas ainda não confirmado está o fim do subsidio de insularidade,as taxas moderadoras entre outros.... Alguém se indignará!?

Terça-feira, 6 de Dezembro de 2011

Intervençao Programa de Governo (2011-2015)


Exmo. Senhor Presidente
Exmos. Senhor Presidente do Governo
Exmos. Senhores Secretários
Exmas. Senhoras e senhores deputados

Ao fim de largos anos de governação do PSD, onde o registo da despesa imponderada e da desorientação evidente e escancarada foram traços visíveis de um governo habituado a gastar de mais  e a investir mal e de menos,   a Madeira aterrou numa realidade há muito esperada, inexorável e cada vez mais implacável,  pelo menos para aqueles que acompanharam a desfaçatez dos últimos anos : uma situação de horror financeiro, de insolvência e de humilhação para todos os que gostam da Madeira e desejam o melhor para os seus filhos. Chegados a esta situação, torna-se fundamental lembrar, preto no branco, porque é que estamos como estamos. Há questões que se impõe, aqui e agora colocar:  porque é que a Madeira faliu?  Porque é que ainda nem sabemos com que dinheiro contamos para o nosso futuro, para o ano, para daqui a dois anos ou três, ou mesmo para toda a próxima década?  Porque é que aquele que se julgava o senhor do tempo não fala? A pesada factura do absurdo do jardinismo não é apenas para as gerações futuras,  como se chegou a pensar. Esse era um cenário, que sendo  mau, ainda assim nos poderia dar uma margem de manobra para podermos atuar. Afinal, a factura é não só para os nossos filhos, mas é, igualmente, um fardo pesado que impende sobre os nossos ombros e sobre as nossas vidas com uma violência inaudita que ninguém ousou pensar, nem sequer nos piores cenários. É para todos nós e  para começar a pagar já, sem qualquer dó nem piedade.
Perante uma reduzida capacidade da nossa Região em gerar receitas, o PSD desdobrou-se em esquemas de endividamento para pagar programas absolutamente populistas e sem qualquer credibilidade,  apostando em investimentos irracionais e sem retorno e em despesas exageradas e superiores à capacidade efectiva de pagamento. Arrastou nesta insensatez uma economia inteira que hoje não tem liquidez porque o governo deve mais de 2,5 Mil Milhões de Euros há centenas de dias, aplicando o garrote mais insuportável de que há memória na Região ao emprego e à criação de riqueza. Não é por acaso, que, na Madeira, é maior a proporção de falências que no resto do país;  que o risco empresarial é o mais elevado;  que a taxa de desemprego é a segunda maior em 7 regiões e que somos recordistas no risco de pobreza. Mais de 70 000 madeirenses vivem abaixo do limiar de pobreza - um verdadeiro horror social!
Na situação a que o PSD conduziu a Madeira, e depois de ter ganho as eleições, devíamos ter um governo constituído em meia dúzia de dias, um programa apresentado, juntamente com as soluções para o descalabro financeiro, em menos de 1 mês e ainda um orçamento objectivo para 2012 definindo os aspectos essenciais da mudança ainda este ano. Era isto que um governo responsável devia fazer. Mas não foi isso que aconteceu. O Presidente do Governo passeia-se pela Europa e escreve cartas às embaixadas de países estrangeiros queixando-se do -  seu! - governo da república, num dos registos mais dramáticos e quiçá burlescos – é um paradoxo mas tudo aqui é paradoxal!  -  da política portuguesa em que o Vice Presidente da AR, e deputado na AR pelo PSD M, se disponibiliza para um roteiro por esses países, para apresentar uma rol de queixas, não sabem bem de quê, mas  de um governo que é do seu próprio partido!  Haverá momento mais patético, pueril  e descredibilizante? A ser tudo verdade, como alguns fazem questão de afirmar, o PSD transformou o seu governo num mero circo de província recheado de malabaristas arrojados.

Exmo. Senhor Presidente,

O Programa de Governo para o período 2011-2015 devia ser o resultado do programa eleitoral do PSD. Devia mas não é,  nem, na prática, podia ser. Era mesmo impossível sê-lo. Simplesmente porque o PSD não teve programa eleitoral. Foi a eleições de mãos a abanar e com um rol de insultos e promessas inconsistentes e ocas. Se aos insultos a membros do seu próprio partido juntarmos a lista de mentiras e prevaricações descobertas no Verão de 2011, compreende-se bem o estado em que estamos: o Governo Regional não se entende com o Governo da República e este promove um miserável e mesquinho ajuste de contas com a Madeira, utilizando o povo honesto e trabalhador que, em grande parte, acreditou no PSD M, quer quando se realizaram as eleições nacionais, em que pediu o voto no PSD como garantia de salvaguarda dos interesses da Madeira, quer quando,  nas eleições regionais, se  apresentou, a par do CDS, como o melhor partido para resolver o drama e a tragédia governativa do mesmo PSD.

Ora, Senhor Presidente, na prática, tudo disto não passou de “fogo de vista” e de aldrabice política porque, na verdade, estamos bastante pior do que antes de Outubro: sem rumo, sem esperança e já a viver um pesadelo de sacrifícios impostos pelo PSD / CDS.

Os últimos acontecimentos do OE demonstram estas afirmações. Nenhuma das propostas apresentadas pelos deputados do PSD M foram aceites pelo governo. Tudo foi chumbado, mesmo sabendo que muitas delas, que tiveram o nosso inequívoco apoio, eram fundamentais para o futuro da Madeira. O governo do PSD/CDS não esteve com meias tintas: não só não aprovou nenhuma proposta, a não ser a correcção de dois erros da sua própria responsabilidade, um erro técnico e um erro constitucional, designadamente a falha no valor das transferências do OE para a Madeira e a absurda intromissão do Ministério das Finanças nas decisões regionais, como ainda por cima,  introduziu novos problemas que a Madeira não tinha, designadamente:
·      o fim da isenção de taxas na distribuição de lucros e dividendos na Zona Franca;
·      o  fim do fundo de coesão sem ter cumprido a LFR, nomeadamente a avaliação ao fim de 4 anos da situação da RAM;
·      a  suspensão da totalidade das transferências para a RAM (mais de 180 ME), castigando o Governo de Jardim pela ocultação de divida, mas deixando a Madeira à beira do colapso;
·      o  corte das transferências relativas ao IRS variável para as autarquias, retirando mais 5 ME à Madeira;
·      a violação da lei de meios, quer no que respeita à habitação, quer em termos de apoio às empresas, o que significa uma perda de mais de 6 ME;
·      A diminuição no Investimento do estado na RAM;
Com tudo isto,  a Madeira perderá dezenas de milhões de euros mas, além disso, os madeirenses serão ainda confrontados com menos dois salários em 2012 e mais impostos que começam a tornar  insuportável o quotidiano de todos, nomeadamente um aumento do IVA que ameaça atirar o turismo da Madeira para mais uma crise profunda. Foi este o resultado das propostas do Governo da República e, perante o pior orçamento de sempre para a Madeira, o PSD M e o CDS M votaram a favor e ratificaram, de forma estridente, mais este pesadelo para todos os que optaram por viver nesta Região.

Senhor Presidente,

Ora, importa sublinhar que é provocatório e mesmo ofensivo, transformar um voto favorável a esta hedionda proposta, num voto necessário como contrapartida de uma hipotética abertura de negociação com Bruxelas por causa do CINM, um problema antigo que já devia ter sido resolvido, que teve promessas de resolução pelo PSD e CDS em Lisboa, mas cujo resultado foi, único e exclusivamente, acrescentar um outro problema em sede de OE. Portanto, se a cada promessa de solução, o PSD e o CDS, não só não resolvem como acrescentam problemas novos, julgamos que é  muito pouco prudente e desejável que este tipo de folhetim novelesco prossiga o seu caminho. Além disso, parafraseando uma conhecida frase, “há mais vida para além do CINM”  e, sobretudo, reduzir o problema com que estamos confrontados, com que estão todos os madeirenses confrontados, incluindo os que dependem do CINM, apenas à grave situação da praça, é desviar atenções e manifestar a total incompetência para salvaguardar os interesses da Madeira.
De resto, o que se passou no OE não foi um facto isolado. O ataque à Madeira e aos madeirenses, para ajuste de contas por causa de Jardim e do comportamento do PSDM, começou com a retirada de 25 ME do bolso dos madeirenses para colocar nos cofres de Lisboa, aquando a imposição de um imposto que retira 50% do subsídio de Natal e cuja receita é usada em Lisboa, sabe lá Deus para quê! Uma matéria de que o PS M pedirá inconstitucionalidade e que o PSD M, paradoxalmente, ainda não levou a discussão na comissão de economia, de modo a dar seguimento urgente ao processo.
Mas quem pensa que este é o limite das atrocidades aos madeirenses podem estar enganados. O PSD M esconde com “unhas e dentes” o plano de sacrifícios. Desde Agosto que pedimos ao PSD M que explicite os termos do resgate que pediu à República, numa demonstração de incapacidade para resolver a tremenda asneira que construiu ao longo dos anos. Era lógico que o povo tivesse votado em Outubro conhecendo essa “listinha” de maldades que o PSD engendrou. Era expectável que o povo não votasse de olhos vendados. Era, mas foi assim que aconteceu por vontade do PSD e do CDS: estes partidos conseguiram que tudo fosse escondido dos madeirenses mas, cinicamente, asseguram que estes podiam votar como quem passa um cheque e branco e ainda assim confiar. A verdade é que os madeirenses votaram no escuro e é o que se vê: todos os dias há novas novidades, mas o pior ainda está para vir.
Senhor Presidente,
Já se passaram dois meses depois das eleições. E agora voltamos a ter de apreciar e votar o programa para os 4 anos de governo mas, mais uma vez, o PSD M esconde a lista de sacrifícios e de constrangimentos, mas agora dos deputados. É grosseiro, anormal e sobretudo anti-democrático mas nem todos têm legitimidade para o dizer. O PS M, desde a primeira hora, que alertou para esta situação. Mais uma vez não mudamos de discurso, nem de comportamento e muito menos de soluções. A coerência, em política, como na vida pessoal, pode parecer que vale pouco mas, ao longo do tempo, passa a ser decisiva. 

Mas Senhor Presidente,
Senhores deputados, voltemos ao Programa de Governo.

Antes de mais, o Grupo Parlamentar do PS M aconselha uma revisão profunda ao documento de modo a oferecer uma forma homogénea e uma adequada apresentação, evitando a ideia, ou escondendo para o exterior a evidência, sobretudo para aqueles que precisamos que nos ajudem,  de uma amálgama de vários autores sem fio condutor e sem o mínimo cuidado e atenção à sua forma. Não é só desprestigiante para o Governo e para o PSD:  é também uma vergonha para a Madeira e um passo perigoso a resvalar  para o descrédito. 

Quanto ao conteúdo, não temos dúvidas ou receios em considerar que este documento tem aspetos positivos. Que chegam tarde, que estão ainda pouco consistentes na sua apresentação mas que são um caminho que deve ser trilhado. Referimo-nos a menos de meia dúzia de propostas, de que devemos sublinhar e assegurar a sua implementação:
·      A reestruturação do Sector Público Empresarial, proposta reiterada várias vezes pelo PS M;
·      A renegociação das Parcerias Público Privadas rodoviárias (Via Expresso e Via Litoral), matéria que fez parte das nossas propostas prioritárias;
·      A discussão sobre a fragilidade do PIB enquanto indicador mais adequado para definir as transferências da UE, em termos de fundos estruturais, apresentamos várias iniciativas legislativas neste sentido;
·      A aposta no Investimento Directo Estrangeiro e o relançamento da Internacionalização;
·      A importância da extrema selectividade e critério no investimento público.
Mas estas ideias, ainda, são pouco fundamentadas no documento, encontram-se fragmentadas e dispersas  ao longo do programa e constituem excepções em relação ao passado, talvez numa tentativa de devolver alguma credibilidade a um governo e a um partido muito fragilizado pelos sucessivos erros cometidos.
Mas falamos de uma excepção porque, de resto, não se vislumbra uma ruptura efectiva com outros problemas igualmente relevantes e, na mesma, geradores de bloqueios e menos valias que afectam a Madeira.
Por isso, um programa de Governo genérico, com medidas avulso, e sem rasgo operacional ou capaz de relançar a esperança, apenas um conjunto de generalidades, conforme sublinhou o Senhor Vice Presidente, de forma tão categórica, serve para quê?
Um programa de Governo sem considerar a efectiva reestruturação das contas públicas e apresentar o caminho da consolidação orçamental de modo a ultrapassar a tragédia que corresponde de mais de 6000 ME de divida, designadamente a definição das contrapartidas que o governo PSD apresentará, ao PSD/CDS em Lisboa, para assegurar o financiamento das dividas criadas nos últimos anos, serve para quê?
Ainda por cima, Senhor Presidente e Senhores deputados, sendo óbvio que este é, e será, sem dúvida alguma, o problema central da próxima dezena de anos de todos madeirenses, porque se trata de um problema de proporções tão graves que, sem ajuda externa, sem negociação adequada, sem dinheiro e apoio da República, não existirá Madeira tal como a conhecemos. Se deixamos tudo como está, num limbo de irresponsabilidade,  amanhã estaremos todos submersos por uma política sem norte e sem futuro!
Mas mais. Um programa de governo sem uma visão estratégica e norteado por uma lista vaga de propostas, a maior parte delas descontextualizadas, e sem o mínimo de rigor argumentativo serve para quê? Qual o objectivo. Cumprir formalidades? 
Um programa de Governo que mantém uma ausência gritante de visão estratégica para o turismo, que não encontra solução consistente para o desgoverno no ordenamento territorial, que não encaixa de forma relevante os temas da I&D, da ciência e da inovação. Que promove a reestruturação da administração pública à tesourada, diminuindo direcções regionais sem critério e sem ponderação. Um programa de governo que comete a imprudência de manter a anormalidade da saúde, transformando as necessárias mudanças para  o sector num susto à saúde dos madeirenses. Um programa que não demonstra reflexão profunda em matéria de desporto, garantindo soluções equilibradas e justas, e que hesita na importância da educação, remetendo-a para a mesma apatia que o global das ideias que norteiam este documento.
Senhor Presidente (do governo),
Senhoras e Senhores deputados,
 toda esta manta de retalhos serve para quê?

O povo diz, com segurança e sabedoria, que “para grandes males grandes soluções” mas os senhores contrariam esta tese porque perante um mal gigantesco, apresentam não uma minúscula solução mas uma não solução. Este programa de governo não serve para nada nem resolve quase nada. Esperemos, ao menos, que este debate sirva para alertar para o imbróglio criado, para a insuficiência das soluções, para a necessidade de se ir mais longe, com mais determinação, arrojo e competência. O PS M ainda  tem esperança que sim, por isso não deixaremos de sublinhar alguns aspectos positivos do programa.

O primeiro aspecto é que parte do documento é uma espécie de “mea culpa”. O PSD, timidamente e de forma disfarçada, é verdade, reconhece objectivamente um rol de erros governativos que tiveram consequências extremamente negativas para a Madeira, para os madeirenses e para as contas públicas regionais. Não se trata de um pormenor irrelevante. Reconhecer o erro, embora que indirectamente, é o principio de uma mudança, de um novo rumo. Esperamos que não se trate de falatório político e de conversa de circunstância ou que tenha sido apenas descuido verbal, porque já não há espaço para aventuras ou delírios arrogantes. Estamos convencidos de que não teremos uma segunda oportunidade.. Ou portamo-nos bem, ou perdemos todos.  Mas, não vale a pena inverter papéis: por vontade do povo é o PSD que,  mau grado ser o grande responsável pela situação,  o principal protagonista deste programa e seu único implementador. Tudo o que propõe é da sua responsabilidade, por isso, voltamos a sublinhar que ainda não é o reconhecimento total de toda a pouca-vergonha governativa mas é um principio: reconhecer que errou nas PPP e que estas constituem um insuportável peso no ORAM; que errou  na definição da estratégia para os fundos europeus, pela incapacidade de defender uma redefinição do PIB enquanto variável relevante da avaliação de riqueza,  que acabou por ser a génese dos problemas criados com a Lei das Finanças Regionais; que errou no Sector Público Empresarial, reconhecendo a necessidade de reestruturação de um dos maiores cancros da governação social democrata; que errou no tipo de investimento público, sublinhando que este tem de ser criterioso;  são tudo pequenos passos que estamos disponíveis para valorizar.
O segundo aspecto, é que este programa de governo inclui um conjunto de propostas, mesmo que pouco desenvolvidas,  já apresentadas pelo PS M nesta própria ALRAM, e que tiveram o voto negativo do PSD, mas que nos parecem adequadas e o único caminho possível. Nunca é tarde para emendar um erro, mesmo que ele venha desde a origem da governação PSD e que se tenha mantido assim durante largos anos com prejuízo da Madeira. Se o PSD quer fazer bem e voltar atrás nos erros que cometeu, nós apoiaremos as soluções que se impõem e que nós próprios propusemos em devido tempo.  Ficamos muito satisfeitos com isso e terão, nestas matérias, se vierem a ser consolidadas do ponto de vista legislativo, e seguirem um registo adequado, o nosso inequívoco apoio.

Mas, seguindo a sabedoria popular em que “casa roubada trancas à porta”, alertamos para o facto de que o nosso compromisso de apoio às propostas referidas não é, nem um cheque em branco e muito menos uma esponja que apaga, assim sem mais nem menos, as enormes responsabilidades pelo actos praticados pelo governo do PSD e que nos conduziu a esta tragédia por que estamos a passar. Pela humilhação, pelo sufoco financeiro, pela  desgraça do nosso quotidiano, não esquecemos nem contribuiremos para anular responsabilidades. Bem pelo contrário. Não esquecemos que foram as opções erradas, os interesses obscuros, a leviandade governativa que nos fizeram cair tão fundo. Mas há momentos para tudo. Momentos para a critica implacável e irredutível e momentos para ajudar a reconstruir tudo de novo, a partir do estado de desgraça  em que o PSD M deixou a nossa terra. Por isso, sabendo que o PSD reconhece uma parte, mesmo que ínfima, dos erros com o seu programa governativo, nós estaremos prontos para validar as boas soluções, mas queremos contrapartidas políticas para contribuirmos para esse  consenso e para validar as propostas que referi como tendo a nossa anuência.

Senhor Presidente
Senhoras e Senhores deputados,

Há neste programa de governo um certo silêncio culpado, por um lado, mas um óbvio  reconhecimento dos erros por outro, reflectido em algumas propostas que contrariam todo o «status quo» do passado jardinista. Sendo assim, se é verdade  que o que estamos hoje a discutir é  uma suposta moção de confiança ao governo regional para os próximos 4 anos, o conteúdo do documento em debate mais parece uma tímida moção de censura aos últimos anos de governo do PSD.
Não estamos, naturalmente, entusiasmados com a situação, até porque nada nos garante que este programa traduzirá alterações na governação. Basta, para o efeito, lembrar os termos do anterior programa, que prometia “mundos e fundos” e, afinal,  a RAM acabou na bancarrota e no descalabro. Sendo assim, termino sublinhando o que vale a pena lembrar: apoiaremos as propostas que considerarmos positivas,  mas queremos garantias políticas da sua execução, porque não estamos dispostos a passar um cheque em branco e a colocar  o futuro dos madeirenses nas mãos de um governo cujos resultados arrepiam qualquer cidadão responsável, por mais otimista!  Até ao fim do debate,  serão conhecidas as nossas propostas políticas e as exigências que fazemos para conceder o nosso aval à propostas que vão ao encontro daquilo que sempre defendemos. Agora, como sempre, assumimos as nossas responsabilidades. Que o Governo assuma, de uma vez por todas, as suas!

Disse

Sexta-feira, 2 de Dezembro de 2011

Os madeirenses não merecem tanta maldade!


O PSD e o CDS já aprovaram o primeiro plano de sacrifícios para impor aos madeirenses durante 2012.Depois do corte de 50% do subsidio de Natal, cuja receita reverte toda para Lisboa, num ataque sem precedentes à autonomia da Madeira, o Governo da República de Passos e Portas apresentaram e votaram no OE medidas que vão colocar a RAM em estado de depressão económico-social, aprovadas a integra pelos deputados madeirenses do PSD e do CDS, designadamente:

-       A suspensão das transferências do Estado a que a RAM tem direito ficarão em Lisboa como castigo ao desgoverno de Jardim. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       A declaração de morte ao CINM foi consolidada com os pressupostos do OE. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Retiraram uma conquista recente de transferir os 5% variável de IRS do OE para as autarquias, obrigando à perda de mais 5 ME. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Foi retirado, de forma insensível e mesmo mesquinha, mais de 6 ME que deviam estar no PIDAC, a título de lei de meios, violando descaradamente a própria lei. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Programaram apenas 800 mil euros de investimento do estado na Madeira contra 18 ME nos Açores. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Reduziram as transferências do OE em 10 ME, mais 4 que todos os anos de vigência da LFR. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Aumentaram o IVA na restauração penalizando o turismo que na Madeira tem uma importância significativa. O PSD M e o CDS M votaram contra a proposta do PS  de impedir o aumento da taxa intermédia. Contribuirão assim para mais falências, mais desemprego e menos receitas fiscais. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
-       Comprometeram seriamente o mercado interno ao retirar, em média, dois subsídios, de Natal e de Férias, do bolso dos madeirenses. Quem errou foi Jardim e o PSD, mas quem paga são os madeirenses!
 Isto tudo, e muito mais, já esta assegurado pelo PSD e CDS, com o alto patrocínio dos cinco deputados do PSD M e o CDS M.
 Mas não é tudo. Agora, mais uma vez sem transparência e debate, os madeirenses esperam (há longos meses) pela lista de sacríficos dos madeirenses que AJJ e o PSD vai oferecer a Lisboa para obter o dinheiro que precisa, na sequência do pedido de resgate que fez em Agosto de 2011.
Da nossa parte o problema mantém-se: As medidas do plano de resgate são do conhecimento do PSD porque negoceia com Lisboa e já apresentou propostas. Mas também é do CDS que faz parte do Governo da República e conhece as propostas.
Se nem um nem outro sabem de nada, são ambos irresponsáveis e incompetentes!

Segunda-feira, 28 de Novembro de 2011

E os madeirenses em desespero!


Henry Thoreau, um escritor norte-americano do sec. XIX, escreveu que a “maioria dos homens vive uma existência de tranquilo desespero”. 
Pois parece ser assim que a Madeira contemporânea encara o seu dia a dia: um afónico desespero, numa ensurdecedora tranquilidade. Há neste facto motivos de sobra para questionar o que leva uma sociedade inteira desprezar o valor da mudança, ignorar o poder da reforma e afastar, do seu próprio imaginário, a capacidade e o potencial da alternativa.
Não sinto nenhuma motivação extra para dissertar sobre o habitual. Para me alongar em justificações sobre a passividade social que conduz à política que temos ou ao governo que temos ou, se preferirem, às soluções que não temos.
Mas, como parece ser o mais apropriado, vale a pena observar os factos e afastar, ao mesmo tempo, o ruído que Alberto João Jardim imprime no debate, esgotando-o naquilo que mais lhe interessa e desviando o resto para detalhes sem importância, quase sempre, segundo ele, consequência dos culpados que ele próprio inventa.