quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O discurso que irritou Jardim


Exmo. Senhor Presidente
Senhor Secretário Regional do Plano e Finanças
Senhoras e Senhores deputados

A proposta de Orçamento para 2011 é a expressão do fracasso desta autonomia Jardinista. É o sinal de uma política aos tropeções. É o caminho para a consolidação do definhamento estrutural que a Região tem percorrido, enterrando, quase em definitivo, a esperança de um desenvolvimento equilibrado, integrador e harmonioso com as pessoas e a natureza.
É bom sublinhar que não é apenas o fim do ciclo de 4 anos desastrosos do PSD, que teve inicio num não menos desastrado logro oferecido aos madeirenses, como se estivesse a servir uma fria vingança àqueles que menos gostam, como aconteceu com as razões para as eleições intercalares de 2007.
Desde essa altura que o Dr. Jardim recalendariza e volta a recalendarizar um programa de 2004. Fê-lo quase tantas vezes como o grau de inutilidade e perversidade das ideias e propostas contidas nesse fóssil governativo.
Mas passados 4 anos, o estado da Região não podia ser mais próximo da calamidade e, mesmo assim, o PSD continua a recalendarizar o dito programa não mudando nada apesar de já nada ser igual ao longínquo ano de 2004.
Na verdade, os madeirenses não têm a sorte do seu lado: sofreram uma tempestade a 20 de Fevereiro, por razões naturais mas com empoladas consequências devido ao desvario governativo no planeamento urbano. Aliás este episódio também ficará na história da Madeira como a mais ignóbil e perversa fuga da verdade e da responsabilidade de governantes sem escrúpulos.
Mas a infelicidade dos madeirenses não se esgota nestes fenómenos naturais. A mão humana do PSD tem sido bastante pior que a da natureza.
O massacre de uma governação medíocre conduziu a Madeira a um flagelo económico e social que este orçamento não é capaz de esconder:
mais de 15 000 desempregados;
mais de 70 000 madeirenses a viver abaixo do limiar  de pobreza; maior proporção de falências do país; maior risco empresarial de Portugal;
piores resultados do país em termos de turismo nos últimos dois anos;
pior índice de conforto do país;
piores resultados na educação;
piores resultados na inovação e desenvolvimento;
um desaranjo total na saúde;
a 25ª região do país, em 30, em termos de índice global de desenvolvimento regional;
a 27ª região do pais, em 30, em termos de coesão;
a 4ª região em 7 em termos de rendimento liquido anual.       
Senhor Presidente
Senhor Secretário
Senhoras e Senhores deputados
Nada disto acontece por acaso e, obviamente, não é o resultado de forças ocultas ou mesmo de inimigos retirados do baú de mentes empoeiradas e comprometidas com a incompetência e o desaforo intelectual.
É, isso sim, o resultado de políticas orçamentais desencontradas com o mais elementar bom senso e ponderação na utilização dos dinheiros públicos.
Depois de mais de uma década de trapalhadas  orçamentais, a Madeira está em decadência profunda, conduzindo os seus cidadãos para um surdo e mudo desgoverno.  
Os madeirenses, em 2011 ainda estarão reféns dos gatafunhos jardinistas, pomposamente chamados de políticas, feitos no século passado e idolatrados na Quinta Vigia.
Estas opções vertidas na proposta de 2011, alimentam um amiguismo confrangedor e rompem, dia após dia, com as conquistas de um povo habituado a sofrer mas, infelizmente, sujeito a uma malvadez governativa.
O resultado é um povo em estado de choque, que acabará em mártir por padecer tão amargamente aos pés de gente capaz de humilhar a honra de cada madeirense, enganar vilmente, e injustamente, gente sã, honesta e trabalhadora. Tudo em troca de mais uns anos de poder ou, noutros casos, de mais fartura financeira .     
 A crise que vivemos é o resultado de opções orçamentais que têm a sua origem há muitos anos atrás.
Os factos e os números não mentem. Doem e são frios, mas não mentem.
Exmo. Senhor Presidente permita-me a análise de alguns dados da despesa:
Em 2011 a despesa corrente ultrapassa em 50% a receita fiscal. Isto significa que os impostos que os madeirenses pagam (e não são poucos, em média são mais 700 euros que 1 açoriano) não chega para pagar toda a despesa corrente. É o valor mais elevado dos últimos 12 anos. Mas nestes últimos 12 anos (2000-2011) a despesa corrente em média ultrapassou 18% do valor das receitas correntes.
O que se verifica da análise desta série longa é que nada mudou e nada fez parar a despesa.
Confirma-se que a cada ano que passa a administração pública regional está mais pesada e gorda suportando um ônus de desperdício superior à sua dimensão económica e capacidade de gerar riqueza.
De 2000 até 2009 as despesas correntes aumentaram 331 Milhões de euros. Cresceram a uma média de 31 ME por ano. Se incluirmos os anos 2010 e 2011 o crescimento anual foi de 43 ME por ano.
Entre 2005 e 2008, a  despesa corrente aumentou 244 ME. Aumentou 81,3 ME por ano.
Mas um dos maiores dramas do comportamento da despesa tem a ver com as transferências correntes e de capital. Elas representam a tradução do efeito da fuga ao escrutínio da ALRAM e do desperdício de dinheiro. Elas contribuem para alimentar um monstro paralelo criado pelo Governo do PSD de Institutos e Fundos Autónomos que violam a lei da contabilidade pública porque não geram, cada um deles, 2/3 da receita total.
O financiamento destas entidades representa centenas de milhões de euros em autênticas “fábricas de desperdício”.
Na verdade, a partir de 2005 as transferências correntes sofrem um aumento de 53% e nunca mais recuam. Em 2011 o Governo prevê transferir 452 ME. Em 2004 esse valor era cerca de metade, 227 ME, e em 2010 será de 438 ME. Portanto, sempre a crescer.
Quanto às transferências de capital o registo é semelhante com a particularidade de que os aumentos mais significativos ocorreram em período de eleições (em 2000 foi 297 ME; em 2004 foi de 352 ME; em 2007 foi de 178 ME e em 2011 vai ser de 192 ME).
Vale a pena sublinhar que as transferências correntes dos últimos 12 anos são superiores às de capital em cerca de 1 500 ME.
No campo das despesas merece ainda particular atenção a evolução dos subsídios. Entre 2000-2009, em 10 anos, a média de despesa em subsídios foi de 8,3 ME. Em 2011, altura de crise severa o PSD não hesita em prever gastar 32 ME em subsídios, o segundo maior resultado dos últimos 12 anos, só superado em 2010 com 37 ME.    
Receita
Quanto à receita o panorama é  surpreendente. Em 2011 O  governo do PSD Madeira receberá da república mais de 450 Milhões de euros. Este jackpot foi aprovado no Orçamento de Estado com a particularidade do PSD Madeira ter votado contra.
Deu ostensivamente uma facada nos madeirense, mostrando a sua má fé e falta de responsabilidade.
A aprovação de mais de 450 ME ficou, por isso, pendurada na boa vontade dos outros deputados...
Mas esta insólita situação foi o corolário de um enredo infeliz de um partido entre o colapso e a doideira!
Vale a pena lembrar a astúcia, dizem uns, do cérebro político Jardinista.
Para o Dr. Jardim o Orçamento de Estado começou por ser mau mas, mesmo assim, Jardim decide aplicá-lo na RAM. Disse-o quase sofregamente, e fá-lo-á de acordo com esta proposta que hoje se inicia a discussão.
Depois, mesmo com o tal mau orçamento, sublinhado várias vezes e em vários lugares, acordou um dia e resolveu afirmar que: perfeito perfeito era trocá-lo pela revisão da constituição.
Sem descansar da euforia contraditória, reforçou as acusações ao Presidente do seu partido, e voltou a estar pronto para votar contra esse orçamento, esquecendo-se entretanto da tal troca do mau orçamento pela Revisão da Constituição.
Tudo isto parece uma espécie de Alzheimer intermitente.
Mas não ficou por aqui: alimentou um tabu em que os deputados do PSD na AR, talvez, pudessem votar contra esse mau orçamento na votação na generalidade.  Resultado: abstiveram-se.
Depois discutiram na especialidade as suas propostas: desde a flexibilidade da lei de meios, para desviarem o dinheiro da reconstrução e esconderem os 309 ME que comprometeram-se a afectar à dita lei;
até uma exótica proposta para reactar as negociações da Zona Franca, pedindo mais benefícios fiscais mas aligeirando o critério de criação de emprego, numa atitude ainda por explicar aos madeirenses que, concerteza, querem uma zona franca com empresas e com emprego e não com caixas de correios e planeamento fiscal.
No fim, afinal, depois dos 452 ME  garantidos e da flexibilidade obtida, votaram contra o OE,  por isso votando contra estas avultadas transferências.
 As consequências deste rodopio político são óbvias: Mais ninguém, seja PSD ou PS, volta a negociar seriamente e a confiar em gente desta. O pior é que a Madeira continuará a precisar da solidariedade da república e a experiência do passado confirma a relevância de boa relação institucional de modo a salvaguardar os interesses regionais. O PSD infelizmente estoirou, mais uma vez, tudo isso, revelando que a política pimba tem pergaminhos na Região.

Exmo. Senhor Presidente
Senhor Secretário Regional do Plano e Finanças
Senhoras e Senhores deputados

O desnorte total foi a constatação que o voto contra no Orçamento de Estado não salvou os madeirenses da aplicação das medidas de austeridade. O PSD votou contra mas aplica-as na RAM, conforme prevê a proposta em discussão.
O processo autonómico na Madeira vive, por isso, o pior momento de sempre com um governo a esfaqueá-lo sistematicamente e a recusar ajudar os madeirenses em tempo de crise.
Enquanto nos Açores a autonomia permite compensações, na Madeira vivemos, há muito tempo, com deduções, pelo menos para o povo.
Mas engana-se quem pensa que tudo isto se trata de um comportamento isolado.
Recentemente, a segunda figura do governo, o Dr. Cunha e Silva, lançou uma tese desesperada apelando à entrega da autonomia da saúde e da educação a Lisboa.
 Passados mais de 20 anos o desespero, a incapacidade e os maus resultados nestes sectores são de tal ordem que não se importam de entregar o que pediram.
Das três uma: ou receberam a regionalização da saúde e da educação sem saberem minimamente as suas consequências; ou apenas queriam o poder pelo poder; ou, não menos provável, não tiveram unhas para garantir uma educação e uma saúde de boa qualidade. Qualquer dos casos compreendemos ser de enorme gravidade.
Estas declarações de consciência do Dr. Cunha e Silva é o estado de alma do PSD. Um estado de caos governativo, de vazio de projecto e de negação do seu próprio discurso e da sua própria acção. 
No mesmo sentido, a Dra. Estudante reconheceu que não sabe o que fazer para baixar as taxas aeroportuárias, que são da sua responsabilidade.
Ficamos conscientes que para baixá-las só mesmo assumindo o falhanço redondo na gestão aeroportuária e entregando a regionalização dos aeroportos a Lisboa.
Nisto tudo, a conclusão é violenta: ficaríamos melhor se entregarmos a autonomia: ficamos melhor na saúde, na educação e até na gestão aeroportuária.
Agora, nesta proposta de Orçamento para 2011 fica ainda mais claro que o governo rendeu-se à sua incapacidade para aproveitar a autonomia. Está escaldado do seu falhanço na educação e na saúde e recusa-se a compensar os madeirenses de modo a ajudá-los a ultrapassar a crise criada pelo próprio PSD.
Senhor Presidente
Em 2011, repito, a Madeira receberá a maior verba da república alguma vez transferida num único ano: são 452 ME, sendo que no final de 2011 deverão representar mais de 40% das receitas totais, o dobro do peso da média dos últimos 10 anos que foi de 20%. Tudo isto sem o contributo do PSD Madeira.
Mas as receitas deste orçamento também virão de um dos maiores cancros da governação do PSD: a divida.
Desde o ano 2000 que o PSD se refugia em artifícios e engenharias financeiras no sentido de fugir aos constrangimentos legais e assim manter os níveis de endividamento. Ao longo de 12 anos o governo regional pediu ao banco 1 445 ME .Neste contexto, a situação da divida directa em 2010 é de 1094 ME .
Nos últimos 12 anos a RAM endividou-se a uma média de 120 ME anuais. As receitas fiscais já não pagam a divida directa e mesmo as receitas totais já correspondem 70% da divida directa.
Quando legalmente o PSD foi impedido de se endividar através da banca, fê-lo através de avales a empresas e entidades públicas. Assim a divida indirecta passou de 112 ME em 2000 para 1 695 ME em 2011, um aumento de 1500%.
Hoje as responsabilidades financeiras totais ascendem a mais de 6 000 ME entre divida directa e indirecta, concessões, EANP, divida não avalizada do Sector Público Empresarial da RAM, titularização de créditos, Patriram, entre outras.
Correspondendo a cerca de 125% do PIB da RAM, mais de 4 orçamentos inteirinhos!

Exmo. Senhor Presidente
Senhor Secretário Regional do Plano e Finanças
Senhoras e Senhores deputados

Falemos das opções de investimento.
O PIDDAR, tal como o Orçamento, mantém o traço de falta de credibilidade e até transparência. Nos últimos 10 anos a média de execução foi de 58%. Apenas em 2008 a execução ultrapassou os 70%.
Desde o ano 2002 até 2011 o governo do PSD investiu 4 000 ME, correspondendo a uma media de 400 ME por ano.
Apesar da dimensão destes números é fácil constatar que o grande problema está na qualidade, viabilidade e oportunidade dos investimentos públicos.
Em 2007 o governo aprovou um PDES assumindo uma aposta clara na diversificação da economia, dando o acento tónico na inovação, na I&DT, na educação e formação e no desenvolvimento empresarial.
Esta determinação devia corresponder a efectivas apostas com expressão financeira adequada.
Então vejamos:
Entre 2002 e 2011 foram investidos  24,4 ME em ID&T, cerca de 2,4 ME por ano. Isto corresponde a cerca de 0,69% do investimento global realizado nesse período.
Em termos de inovação os dados também são desoladores.
Se analisarmos só a partir de 2007, ano da aprovação do PDES, verificamos que os investimentos totais rondam os 25 ME em 5 anos, uma média de 5 ME por ano, correspondendo a pouco mais que 0,96% do investimento. Menos de 1%.
Um outro tema recorrente na análise do investimento tem a ver com o esforço na educação e na saúde.
Os dados de 2002-2009 não deixam dúvidas: verifica-se que os investimentos têm sido modestos.
Os investimentos na educação atingem os 205 ME em 8 anos. São cerca de 25 ME por ano. Uma proporção de apenas 6% do investimento total. 
O orçamento de 2011 mantém o mesmo registo com uma proposta de 25 ME, embora a tendência é para reduzir esse investimento.
Na saúde a situação ainda é pior e permite compreender melhor os problemas que o sistema regional de saúde está confrontado. Verificamos que o investimento na saúde foi metade do da educação ao longo dos 8 anos em análise. Sendo que corresponde apenas a 3% do investimento total.
Quando se aborda os investimentos no desenvolvimento empresarial aí a situação ainda é bastante mais grave.
Um sector cujos investimentos são fundamentais para manter a criação de riqueza e emprego e a diversificação da economia, o governo não chegou a investir 2%
Na verdade o valor de investimento total não atingiu 50 ME em 8 anos, menos de 5 ME por ano, cerca de 1,47% do investimento total. Em 2011 estão inscritos 39 ME mas obviamente jamais serão executados tendo em conta o próprio histórico da rubrica.
Quanto ao turismo, é outra prova do desacerto das prioridades. A proporção de investimento não chega aos 3% e o investimento médio entre festas e promoção foi de 11,5 ME.
Em 2011, não se verifica mudanças significativas deste procedimento e, sobretudo, desta tendência. Está previsto um investimento de 19 ME, contudo, em 2009 também estavam previstos 16 ME e a execução ficou abaixo da média, cerca de 10 ME. Tudo isto numa altura em que se verifica um verdadeiro “afundanço” do sector...
O  grande beneficiário das opções do Governo foram as infra-estruturas que em 8 anos tiveram mais de 40% do total do programa de investimentos. Uma média de 170 ME por ano. Um facto que contraria em absoluto o discurso e os documentos oficiais, mas que explica a situação periclitante da economia regional.
Em 2011 o governo prevê investir nesta Rubrica mais de 350 ME.
Em contrapartida, na rubrica “Integração e Equidade Social” verificamos que o Governo considerou o ano passado 30 mil euros e para 2011 mantém a mesma previsão orçamental.
Corresponde a 0,04% do investimento global previsto. Mas quem pensa que isto é uma situação particular a análise da série 2002-2011 retira qualquer dúvida: Ao longo de 10 anos o Governo investiu nesta rubrica apenas 7,69 milhões de euros, 0,19% do valor global de investimento no mesmo período, cerca de 700 mil euros por ano!





Senhor Presidente
Senhor Secretário
Senhoras e Senhores deputados
O orçamento regional do PSD para 2011 é recessivo para as empresas, austero para as famílias e expansivo para o governo.
Para mudar isto é preciso abandonar as principais bandeiras do Jardinismo, designadamente:
jogar dinheiro em cima de instituições (são dezenas delas) com motivações eleitoralistas;
desperdiçar dinheiro com futebol profissional;
manter favorecimentos que roçam o ilícito e que, principalmente, delapidam o orçamento da RAM;
engordar insensatamente a administração pública com excesso de despesa;
afastar o investimento privado a favor do investimento público não produtivo;
manter transportes marítimos elevados;
manter um sector público falido mas altamente consumidor de recursos;
insistir em operações escandalosas, como o caso das sociedades de desenvolvimento;
manter uma cortina de fumo sobre as razões da pobreza e da exclusão social, procurando encontrar argumentos para não actuar;
É preciso acabar com tudo isto e usar os poderes autonómicos a favor do bem-estar dos madeirenses. Mas de todos os madeirenses
As conquistas autonómicas da RAM ofereceram não só um parlamento próprio e um governo, mas um conjunto de instrumentos que permite à RAM definir políticas e opções distintas. Esta facilidade não decorre de um desejo infundado de autonomia,  mas sim do facto inultrapassável que a Região tem condições especiais de desenvolvimento e tem obstáculos permanentes e por isso a aplicação do principio de subsidariedade, neste contexto, assume contornos óbvios.
Senhor Presidente
Senhor Secretário
Senhoras e senhores deputados
O PS Madeira considerava ser indispensável um orçamento regional de ruptura. Esta opção corresponde ao mínimo necessário para que os madeirenses possam viver numa Região com expectativa de futuro e não numa espécie de ante-câmara para o descalabro.
Era indispensável alterações profundas no plano das despesas mas também no plano das receitas
Na nossa perspectiva o Governo Regional tem de cortar na obesidade da administração pública regional. Se o fizer, o Orçamento da RAM terá margem de manobra para não aplicar ou minimizar as medidas que atingem os funcionários públicos, classes menos favorecidas, classe media, desempregados e beneficiárias de prestações sociais.
Além disso, pode prestar a atenção devida a um dos aspectos mais importantes para consolidar o nosso bem-estar que é o desenvolvimento económico.
Por isso defendemos uma política fiscal por um lado expansionista e por outro com orientação social.
No primeiro caso defendemos cortes significativos do IRC, reforço da reserva fiscal de investimento e discriminação na aplicação deste imposto com taxas reduzidas em zonas carenciadas. Tudo para dinamizar a actividade económica.
Mas a política fiscal não é suficiente. É preciso mais medidas junto das empresas, melhorando a sua competitividde imediata, designadamente: melhor acesso aos financiamentos, apoio á reestruturação de dividas, diminuição dos custos de transportes, apoios objectivo aos factores de competitividade quer a internacionalização (alargar o pequeno mercado regional é um desafio estratégico urgente!) quer a inovação e parcerias estratégicas.

Senhor Presidente
Senhoras e Senhores deputados

Não temos dúvidas. Sem um orçamento de ruptura com a natureza que acabei de referir, a tendência de definhamento da economia regional vai se instalar definitivamente na RAM em 2011 e agravar, ainda mais, o estado da Região.

Disse



segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

O Jackpot das transferências financeiras da república será desviado dos madeirenses!

Em 2011 a RAM vai receber a maior transferência de sempre da República, são mais de 450 ME que, infelizmente, não vão cair no bolso dos madeirenses mas sim servirão para os investimentos eleitoralistas e para financiar o amiguismo Jardinista

domingo, 12 de dezembro de 2010

Uma facada na autonomia

A aprovação do Orçamento Regional para 2011 será uma facada na autonomia que crucifica a maior parte dos madeirenses. Se não for possive alterar o orçamento regional, aos madeirenses, só resta rezar e ter fé!

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Autonomia de Tanga


O governo do PS nos Açores não aplica medidas de austeridade sobre funcionários públicos justificando esta decisão com a situação ultra-periférica da RAM e, portanto, uma situção especial que permitiu consolidar um processo autonómico a favor das pessoas. É claro que este é o único caminho de uma autonomia responsável e útil. Se é para aplicar as medidas de Lisboa sem adapatá-las à situação regional não vale a gozar de uma autonomia, cujos custos, ainda por cima, são enormes. Obviamente que o Grupo Parlamentar do PS M, apresentará (como já anunciou há mais de 2 meses, antes ainda de conhecer as decisões do Governo dos Açores) essa mesma proposta em sede de discussão do ORAM, na ALRAM. Nos Açores o PSD votou contra!? Aqui o caminho, infelizmente, deverá ser o mesmo...E não venham com a treta que não há dinheiro porque todos sabemos que o problema é regabofe. A autonomia da Madeira está de tanga porque o PSD "rebentou" os principios essenciais da subsidariedade responsável. A prova disto é que agora em vez de aplicar políticas que discriminem positivamente os madeirenses, assume que cometeu erros, que não sabe governar e que falhou na educação, na saúde e na gestão aeroportuária. Valha-nos Deus!

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

A bajulação sem limites em directo na RTP Madeira. Um bocadinho mais de rigor meus senhores!

Ainda não tinha visto este programa de jornalistas e tenho de dizer que não voltarei a ver. Acabo de ouvir um jornalista a demonstrar o quanto atrevida pode ser a ignorância. Ora um deles diz que o PS devia apresentar soluções por causa dos pagamentos em atraso do Governo da Madeira às empresas. Deixe-me dizer frontalmente: o PS M já apresentou várias vezes e até anunciou na imprensa. Além disso, a situação só não é mais grave que o PS criou o Programa Pagar a Tempo e Horas em que a Madeira consumir mais de 85%. Por isso, ou é má fé ou o jornalista está mal informado, o que me parece (qualquer um dos casos) imprudente (e inadmissível) para quem quer ser comentador. Mais grave. O mesmo Senhor tem o esplante de dizer que não acredita no que diz o comunicado do PS sobre os prazos de pagamento. Não acredita? Mas onde estamos. Se tem dúvidas informe-se! Ou será apenas uma questão de fé?A verdade está no site do Mistério das Finanças, matéria que passou a ser obrigatória e é informação trimestral e, sobretudo, é clara: pagamentos da administração pública dos Açores é 15 a 20 dias; da administração central é 40 dias e da Madeira entre 250 e 300. É ridicula esta patetice comentadora e, sobretudo, ignorante...
Entretanto acabo de ouvir outra mentira agora do PIVOT: segundo este o aumento de transferências de estado foram de 40 milhões de euros.Mentira, foram 100 milhões. E a coisa continua. Agora outro diz que o dossier da Zona Franca devia ser negociado, mesmo sabendo que a proposta do PSD era a de aligeirar a criação de emprego. Ou seja este Senhor partilha da opinião do PSD que deve-se dar mais beneficios fiscais e pedir menos emprego.  Sobre o mesmo tema, outro diz que o alargamento dos beneficios fiscais é só para a banca (como?!). é claro que não é verdade mas já percebi que rigor não é o forte deste comentador. Tudo isto é muito mau e quase que se resume um pacote cheio de ignorantes comentários e, quase todos, contra a mudança na Madeira!...Vou já mudar de canal...

terça-feira, 30 de novembro de 2010

O orçamento da RAM prejudica as empresas e impede a criação de emprego


1. O Orçamento da Região para 2011 dá mais uma facada no ambiente empresarial da RAM. Infelizmente o Governo do PSD da Madeira desconsidera de forma muito preocupante o papel das empresas no crescimento económico.
2. Este Orçamento é um verdadeiro cortejo fúnebre ao que resta do tecido económico local: aumenta impostos, mantém excesso de burocracia no apoios ao investimento (ostentando miseráveis taxas de execução!) apoia com dinheiro local (de todos os madeirenses) empresas externas, como é o caso dos apoios do programa + conhecimento; mantém a perseguição ao investimento privado através das Sociedades de Desenvolvimento (é preciso notar que o Governo Regional já é o maior empresário da restauração e agora quer também fazer hotéis); compete injustamente (é David contra Golias) no crédito da banca regional secando a liquidez para os projectos públicos tresloucados, impedindo que as PME’s da RAM possam se financiar; prejudica as PME’s suas fornecedoras ao ver-lhe cortado o factoring em virtude do excesso de utilização para fins impróprios; não resolve o garrote imposto às empresas pagando a tempo e horas;  subverte a importância das decisões de investimento público mantendo níveis reduzidos de apoios ao turismo e às empresas em geral; não é capaz de arrancar com a necessária diversificação da economia deixando a Madeira à mercê de uma monocultura do Turismo cada vez mais em crise e cada vez menos acarinhada.
3. O PS Madeira considera que só com empresas saudáveis num ambiente empresarial competitivo é que é possível termos esperança na luta contra o desemprego (são quase 16 000) e, não menos importante, na luta contra os pobres que são uma franja significativa da população da RAM e que já afecta quase 1/3 da população da RAM, mais de 70 000 pessoas que vivem abaixo do limiar de pobreza.
4. É verdade que é preciso reforçar a política social que este orçamento pura e simplesmente é omisso: não há medidas próprias para combater os problemas sociais de curto prazo. Mas torna-se indispensável redefinir as políticas de apoio às empresas de modo a dar-lhes a motivação e os instrumentos necessários para darem o seu contributo para a criação de riqueza e emprego.
5. As nossas empresas apresentam o risco mais elevado do pais e a RAM é a região do pais com maior proporção de falências! Perante o padrão do nosso tecido económico, muito assente num turismo em dificuldades e num sector de serviços dependente de uma estratégia diferenciadora para o CINM, que devolva interesse público à operação, precisamos de acabar, urgentemente, com o amadorismo da política económica na Madeira e apresentar soluções práticas e eficazes.
6. Só um reforço consistente numa política económica concebida à imagem das nossas necessidades, da nossa dimensão e do  nosso potencial  é que é Possível acreditar que existe um futuro risonho e que os madeirenses podem contar consigo próprios.
7. O grupo Parlamentar do PS Madeira considera que este Orçamento é palha para engordar os propósitos eleitorais do PSD. Não resolve problemas e agrava-os ainda mais em virtude dos avultados meios financeiros disponíveis para serem desviados para o regabofe que conhecemos.
8. No campo da economia e das empresas estamos certos que muita coisa tinha de mudar. O PS Madeira apresentará ainda esta semana o pacote de medidas viradas exclusivamente para devolver competitividade às nossas empresas e garantir mais emprego e riqueza. Apresentaremos soluções fiscais, propostas diferenciadoras na implementação dos apoios às empresas, orientações consistentes nos factores de competitividade  e um suporte credível para garantir a diversificação da nossa economia.
 

domingo, 28 de novembro de 2010

Para uma nova política de turismo

A excelente entrevista de João Welsh no DN M sobre o turismo da Madeira denuncia duas coisas muito importantes: em primeiro lugar confronta o Governo Regional com as más políticas de turismo na RAM, demonstrando ser fundamental uma estratégia coerente que inclua o turismo nos planos globais de desenvolvimento da nossa Região; em segundo, e não menos importante, são opiniões que estão em linha com as propostas do PS Madeira para o turismo e, sobretudo, reflectem o mesmo diagnóstico, conforme se pode se pode confirmar neste excelente trabalho do DN Madeira. Se o Governo do PSD demonstrasse capacidade para implementar as opções de curto e médio prazo propostas pelo PS Madeira, estou certo que teríamos um destino mais competitivo e bastante mais preparado para contribuir para a criação de riqueza e emprego na RAM e assim caminhar a caminho de um cluster muito imortante para a sustentabilidade económica da Região.
As propostas do PS Madeira são claras e demonstram que existe outras formas de gerir o turismo na Região e que as soluções de hoje não estão junto do PSD. Propomos uma actuação a dois níveis:

1 - No médio e longo prazo:
Definição de uma estratégica definitiva de modo a orientar as opções politicas do turismo com segurança e com rigor, permitindo facilmente avaliar os resultados
Aproveitamento do potencial ambiental para o turismo. Estabelecimento dos termos da sua exploração sustentável
 Definição de infra-estruturas necessárias para aproveitamento económico adequado do potencial ambiental
Actualização e aprovação de todos os instrumentos de planeamento urbanístico, incluindo a revisão do Plano de Ordenamento Turístico
Definição dos passos a dar, e em que sectores, de maneira a poder emergir um cluster do turismo
Transformar a escola hoteleira numa escola internacional de turismo, em parceria com as melhores do mundo
Estimular a investigação e desenvolvimento no turismo
Criar as condições para o cruzamento dos interesses paisagísticos da agricultura da Madeira com o turismo
2 – No curto prazo:
Suspensão da oferta até serem obtidas taxas de ocupação superiores a 65% e REv Par ao nível dos 45 euros;
Concentração da promoção, envolvendo intensamente o sector privado;
Duplicação das verbas afectas à promoção;
Redução para metade das taxas aeroportuárias
Programa operacional de apoio à manutenção do emprego no sector, através do FSE;
Programa de apoio à requalificação da oferta;
Estabelecimento de objectivos de excelência e internacionalização para a escola de hotelaria da Madeira;
Estabelecimento de uma estratégia de turismo on-line, consagrando uma verdadeira gestão de destino turístico, com investimento nas plataformas tecnológicas adequadas e potenciando a gestão da relação com o cliente aumentando assim a sua fidelização e permitindo o aumento das reservas directas para, pelo menos 25%.
Estabelecimento da melhor articulação entre a hotelaria tradicional e o mercado de cruzeiros de modo a aumentar a visibilidade da oferta tradicional, aumentando o seu potencial de procura.

sábado, 27 de novembro de 2010

A culpa é sempre dos outros...

Mais uma análise relevante de Luis Calisto no DN Madeira que devia servir para os madeirenses acordarem da dormência e apatia que vivem. 
Deixo algumas partes do artigo que falam por si:

"Quarta-feira, a comissão política do PSD-M, onde se acoitam os políticos com poder, os empresários do regime e os que acumulam, limitou-se a blasfemar sobre as eleições para Belém (nacionais), greve geral (nacional), Orçamento (nacional) e governo PS (nacional). Sobre a profunda crise insular, apenas as denúncias da ordem sobre os almoços misteriosos de uns subalternos de frágil confiança.

 (...)
A 'Madeira nova' vicejou enquanto o dinheiro supriu a inconsciência do pato-bravismo saloio. Crescendo por dentro, inchou como a rã e os escombros visíveis hoje por todo o lado pressagiam triste fim. Como saírem os madeirenses "mais fortes da crise"? Nem com essas paisagens dantescas a fazer de atracções turísticas. Uma réplica do Colosso de Rodes nos destroços do Lugar de Baixo? Uma Cidade Perdida à moda Inca nas ossadas de cimento em plena Estrada Monumental? Falta qualidade arquitectónica. Quando muito, daqui a um milénio virão turistas contemplar as ruínas faraónicas das ilhas e fotografar a múmia que ainda governe as Angústias, na altura."

Faca nas costas de Sócrates e de Passos Coelho: uma jogada de mestre ou mais um tiro no pé?

Do meu ponto de vista a análise de Miguel Silva merece uma reflexão de todos e, sobretudo, do PS Madeira. É óbvio que a seriedade e a consistência discursiva, assim como a promoção das boas relações institucionais não é uma matéria que entusiasme os eleitores da Madeira. Ao que parece os madeirenses preferem a demagogia, a má-fé e até nem se importam das atitudes "à má fila" do PSD M: nas negociações do OE tiveram tudo o que queriam,até o caminho aberto apra o regabofe na utilização dos dinheiros públicos, acenaram com a abstenção (entre contradições e mais contradições!) mas no fim enfiaram a faca nas costas. Vale a pena, apesar de tudo, perguntar: mais alguém está disponível a negociar abertamente com esta gente? Quando a Madeira precisar de solidariedade, compreensão e apoio, os intervenientes nacionais, seja Sócrates, seja Passos Coelho, estarão descansados dos acordos que fazem com gente como esta? Este oportunismo político é, do meu ponto de vista, incompatível com a boa performance governativa. Ninguém governa bem em clima sistemático de desconfiança e falta de seriedade junto dos parceiros naturais. A Madeira tem que se entender com a república, qualquer que seja o Governo. Estes episódios mancham definitivamente essa possibilidade. Mas os madeirenses é que sabem!  

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

Orçamento da RAM: o embuste...


1.      Trata-se de um orçamento na linha do passado mas com mais perigo: tem muito dinheiro entregue pela república e, por essa via, incorpora demasiado desperdício e o habitual desvario na utilização dos recursos financeiros;
2.     Sendo assim no plano das receitas e a sua utilização vale a pena dizer o seguinte:
a.     Só do Orçamento de Estado serão transferidos 324,1 milhões de euros.
b.     Tem previsto mais 171,5 da União Europeia, perfazendo só de transferências da UE e do Estado Português quase 500 milhões de euros (495,6)
c.      Já os madeirenses contribuem com mais de 711 milhões de euros (através de impostos) que a RAM retira do bolso de empresas e famílias, cada vez com menos rendimento disponível.
d.     Além disto, as receitas do Orçamento ainda crescem mais porque o Governo Regional prevê vender mais de 130 milhões de património mas ninguém sabe para quê e o quê?   
e.     De endividamento a RAM contrairá cerca de 450 milhões sendo 250 em avales e 200 em empréstimos à banca, destes, 75 deviam ser utilizados para  reconstrução.
3.     Se abordarmos a forma de utilização destes milhões de euros os madeirenses devem ficar com os cabelos em pé e tratarem da sua vida porque este governo abandonou-os completamente:
a.     No plano social não há política própria. Se não fossem os mais de 11 milhões que a Segurança Social transfere para a RAM, os madeirenses não tinham acesso a política social.
b.     Por outro lado, existem fortes indícios de desvio de verbas da reconstrução: Se admitirmos que em 2011 o Governo devia gastar 260 milhões em obras de reconstrução verifica-se que no plano de investimentos não está clarificada esses montantes e, sobretudo, os projectos a que dizem respeito.
c.      Outro indício claro do desvio de verbas da reconstrução é a ausência de clarificação de parte dos 300 milhões (75 por ano) que deviam ser afectos pelo Orçamento Regional às obras de reconstrução.
d.     Na verdade a fartura de transferências da UE e do Estado Português para a reconstrução está a ser canalizado ostensivamente para as espetadas, os estádios de futebol, os hotéis, construídos com dinheiro público.
e.     No plano do desenvolvimento económico este orçamento é recessivo: tem uma política fiscal penalizadora das empresas e não introduz qualquer política de dinamização do ambiente empresarial
f.      No plano dos gastos do Governo, o regabofe mantém-se: há dinheiro de fartura para manter empresas falidas e conselhos de administração desproporcionados; assim como há dinheiro para o jornal da Madeira, para transferir quase 600  milhões de euros em transferências correntes para entidades fora do controlo orçamental alimentando um monstro de desperdício.
g.     Apesar de esconder não apresentando o mapa plurianual de responsabilidades financeiras, sabemos que o Orçamento pagará em 2011 entre Via Litoral, Via Madeira e Via Expresso mais de 150 milhões de euros. Tudo isto a empresas que não têm risco e têm uma ligação directa ao Orçamento auferindo lucros anuais inadmissíveis.
h.     Alem disso, manterá contratos paralelos com as SD’s de modo a pagar a manutenção e a exploração de empresas que estão totalmente falidas e cujos investimentos nem libertam meios para pagar o funcionamento.
4.     No quadro da situação financeira e da divida, o descalabro é óbvio: são 200 milhões de divida directa mais 250 de avales e mais endividamento escondido com operações como a Via Madeira, Via Litoral e Via Expresso. Tudo somado são mais de 6 000 milhões de responsabilidades financeiras cujos encargos, só em juros, já ascende a 30 milhões de euros, se admitirmos uma taxa média de 5%. É demasiado descalabro financeiro para ser suportável por uma economia que não atinge os 5 000 milhões de produção.
 



quinta-feira, 25 de novembro de 2010

Em vez da reconstrução, espetadas e estádios de futebol. Está nas mãos do povo decidir o que quer

O PS e o CDS na Assembeia da República votaram a favor da possibilidade da utilização dos recursos da Lei de Meios noutras áreas que não a reconstrução. Devo dizer que por principio não me choca a aprovação desta proposta. É aliás a demonstração do respeito pela autonomia e nem sequer devia estar em causa outra coisa dado que a mesma está consagrada na constituição e o governo tem poderes legitimos para governar e escolher as prioridades. Mais, numa situação normal esta flexibilização nem devia merecer qualquer comentário : um governo regional, sério, rigoroso, e respeitável jamais iria colocar em causa desviar os dinheiros da Lei de Meios para outras matérias, porventura menos relevante (e menos ainda iria prometer afectar 300 milhões na reconstrução e desviar para estádios, restaurantes, hoteis e marinas!). Pois, é precisamente a partir daqui que passo a ter sérias dúvidas. Se admito que o PS e CDS na AR votaram em consciência e com a total das boas vontades, não deixa de ser perversa e indicadora de intenções a proposta formulada pelo próprio PSD Madeira. Ou seja, o PSD quis legalizar o que devia ser ilegal e quis sobretudo tentar legitimar (com o apoio do PS e do CDS) a má utilização dos dinheiros da Lei de Meios. Pois bem, sobre isto o PS Madeira sabe bem o que a "casa gasta" e sabemos que o dinheiro, com esta flexibilização ou sem ela, será ou seria mal gasto. foi por isso que propusemos uma Entidade Independente. Foi também por isso que o PSD votou contra: porque nunca teve intenção de utilizar de forma rigorosa os 740 milhões de euros que a República entregou ao Governo do PSD. A partir de agora a pressão sobre a utilização da lei de meios por parte da ALRAM deve ser mais apertada e mais intensa.
Na proposta de Orçamento Regional já está claro que tudo anda escondido. Ninguém sabe onde, como e quanto custa as obras da reconstrução. Mas cabe aos madeirenses exigir que nada disto seja feito em perfeito regabofe, ao gosto das vontades eleitoralistas de Jardim. Se o povo não abrir os olhos, garanto, em vez da reconstrução teremos espetadas.

segunda-feira, 22 de novembro de 2010

A chantagem: acaba-se com o futebol profissiona quando se acabar com a democracia

Vamos por partes: O Eng. Alves que é presidente de um clube de futebol da 1ª divisão. Este clube não tem, como nenhum outro na Madeira, condições para competir na primeira divisão tendo em conta as exigências que daí decorrem. Sabemos hoje que este esforço poucas contrapartidas traz à Madeira e deve ser reequacionado. Contudo, o clube que dirige tem um estádio de futebol e a própria sustentação da equipa de futebol paga por todos os madeienses  (lembro que pagam todos, mesmo os que nem são nacionalistas. E o mesmo acontece com o Maritimo e os outros. O ragabofe é proporcional à dimensão dos interesses a comprar!). Por isso este Senhor, e outros que por aí andam, alguns até com resultados tão miseráveis que há muito deviam ir embora de fininho, devia se dedicar à bola em exclusivo e transformar a sua preocupação, legitima e louvável, numa acção concreta e pedir ao seu partido para votar a favor de duas propostas do PS no ORAM:  1) diminuição de 30% das transferências para os partidos; 2) racionalização dos apoios ao futebol com o fim tendencial do apoio público ao futebol profissional. O resto é foguetório populista. Este chico-espertismo e a sua extrema demagogia é um factor de enorme instabilidade à já de si frágil democracia regional. A chantagem deste dirigente desportivo é violenta: acaba-se com o futebol profissional quando se acabar com a democracia

domingo, 21 de novembro de 2010

Madeirenses pagam

É capaz de ter sido uma semana horribilis para o Dr. Jardim mas a acmulação de desnortes e incoerências desta natureza conforme muito bem realça o jornalista Agostinho Silva no DN Madeira faz com os madeirenses estejam a viver, por tudo isto, a década horribillis com a governação Jardinista.

sábado, 20 de novembro de 2010

Bem dito

O artigo de hoje de Luis Calisto no DN Madeira é mais um momento de lucidez que nos deve fazer reflectir. Na verdade a catástrofe económica e social da Madeira é o resultado de más opções políticas do Governo Regional. Um governo do PSD que tem tido a estabilidade política necessária mas que tem desbaratado as maiorias absolutíssimas em prol de um desvario governamental, prejudicando os madeirenses. Contudo, estes factos objectivos parecem não ser suficientes para a fiscalização e a responsabilização do PSD e do Governo. Ou seja, o descalabro da RAM tem para a maior parte da sociedade, incluindo grande parte da imprensa, a sua génese noutras causas que não a governação Jardinista. Por outro lado, as coisas boas (?) são todas da responsabilidade do Dr. Jardim. Um governo que nunca é responsabilizado é um governo que não se desgasta. É um governo que dura, dura, dura,...Estes factos são observáveis todos os dias. O melhor exemplo pode ser demonstrado na boa iniciativa do DN Madeira que alargou significativamente as opiniões nas suas páginas, alargando bastante os temas. Quem quiser fazer um exercício observe os artigos de opinião, por exemplo de economia, e conte quantos se referem ao estado da economia da Madeira ou a fenómenos regionais nesta área. Todos (ou quase todos) enchem o peito para falar do continente, do Orçamento de Estado, do Ministro das Finanças...Nenhum (ou quase nenhum) se atreve a abordar os temas regionais. Se quiserem posso dar exemplos de alguns!    

O regabofe eleitoral com dinheiro fresco. Depois queixem-se!

Nunca o Governo do PSD teve tanto dinheiro disponível no Orçamento Regional: o Orçamento de Estado vai transferir 312,4 mihões de euros (o tal orçamento que o Dr. Jardim diz que não presta!); a UE dará mais 31,2 milhões; do Fundo de Coesão serão mais 265 milhões e ainda mais 65 milhões do Estado através do BEI. Estes valores mais as receitas de impostos elevados que o Dr. jardim impõe aos madeirenses permitirá que o PSD faça um regabofe eleitoral para 2011. 

quinta-feira, 18 de novembro de 2010

Porto Santo:uma ilha usada e abandonada

É preciso consagrar as condições especiais de dupla insularidade do Porto Santo e transferir esta condição para as medidas e políticas do governo. A situação económica e social catastrófica que se vive no Porto Santo obriga a medidas suplementares. Apresentaremos um pacote de soluções em sede de orçamento regional. 

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

O fracasso da autonomia Jardinista

 
AJJ tenta iludir todos, é a sua prática habitual. o Dr. Jardim anda confuso e baralhado porque a autonomia que criou é um fracasso, uma bandalheira que prejudica mais os madeirenses. Hoje já todos sabem que a regionalização da educação, da saúde apenas serviram para retirar dinheiro do bolso dos madeirenses. Estamos bastante piores que Lisboa e pagamos tudo. Ontem ficamos a saber que a mesma coisa se passou com a gestão do aeroporto. Ou seja regionalisamos essa gestão com a criação da ANAM mas se não tivéssemos feito teríamos taxas mais baixas (metade). Assim, vale a pena simplificar a confusão do Dr. jardim e a ligeireza da Senhora Secretária: o aeroporto da Madeira é nosso? Sim. Queremos entregar a Lisboa? Não. Queremos taxas mais baixas? Sim. Se integrarmos a ANAM na ANA resove-se o problema? Sim e acaba-se com uma empresa falida e os boys que por lá andam. E a Região não recebe nada em troca? Claro que recebe se souber negociar o activo que tem. E o aeroporto gerido pela ANA muda alguma coisa em termos de gestão e turismo? NADA!

terça-feira, 16 de novembro de 2010

O reconhecimento merecido

O DN Madeira ganhou um prémio internacional que atesta a sua qualidade e, sobretudo, premeia o esforço dos profissionais que lutam diariamente por uma imprensa mais livre, mais plural e mais qualificada. Os meus sinceros parabéns a todos.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Os madeirenses estão entregues à sua sorte

Na audição com a Secretaria das Finanças ficou uma certeza: a proposta de Orçamento da RAM para 2011 não contém as medidas necessárias para o combate à crise e as soluções para amparar aqueles que ficaram à margem do desenvolvimento desigual. Pior este orçamento não resolve problemas sociais e agrava problemas económicos.

As vias que nunca deviam ter existido...


As três concessões representam 3000 milhões de euros
No ano 2000 a Região iniciou um dos processos mais desastrosos para a vida dos madeirenses: a operação Via Litoral. Apresentada como uma solução para a manutenção de vias rápidas acabou por ser uma divida com elevados custos.
Em 2004 o TC avisava que a operação Via Litoral não apresentava vantagens para a RAM e, ainda por cima, condicionava seriamente o futuro das gerações futuras, pelos encargos assumidos no quadro do Orçamento Regional. O Governo, insolentemente, justificava a operação com a necessidade de “beber” o conhecimento de entidades privadas, capazes de fazer melhor: um certificado de incompetência a si próprio.
Pior, perante este argumento seria de esperar uma consulta alargada ao mercado no sentido de escolher os que mais sabem do assunto. Nada mais errado, a concessão Via litoral e depois a Via expresso e ontem a Via Madeira, foram todas entregues sem concurso mas representam, até ao fim da sua vigência, mais de 3 000 milhões de euros.
À Via Litoral o governo juntou a Via Expresso e ontem, num verdadeiro acto de “loucura governativa”, hipotecou, mais uma vez, os orçamentos da RAM nos próximos 30 anos em mais 1000 milhões de euros com a aprovação bases de concessão da Via Madeira (tudo feito sem transparência e sem informação suficiente).
Os resultados são claros: entre 2009 e 2011 o Governo pagará cerca de 360 milhões pela Via Litoral e Via Expresso, sendo que pode-se juntar mais 60 milhões pela Via Madeira em 2011, perfazendo um total de 420 milhões, só em 3 anos. Mas, em contrapartida, entre 2005 e 2008, os lucros da Via Litoral e Via Expresso (ainda não há dados da Via Madeira) ascenderam a 61,2 milhões de euros.
Vale a pena terminar referindo que a Euroscut Açores, uma concessão rodoviária nos Açores, teve em 2009 resultados negativos de cerca de 6 000 euros.
Por isso, nem as opções governativas são neutras para o bem-estar, nem as soluções encontradas, mesmo com a mesma forma, têm o mesmo impacto.