segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Vejam isto...

A equipa feminina do Ponta do Pargo derrotou ontem o KTS Forbet Tarnobrzeg, por 3-2, na primeira “mão” dos quartos-de-final da Taça ETTU de ténis de mesa.

Agora tenham em atenção o seguinte:

Equipa de ténis de mesa da Ponta do Pargo

Fun Yu- chinesa
Carina jonsson - sueca
Karen Opdencamp - belga


Não faço mais comentários!

Jardim criou um modelo que retira riqueza aos madeirenses...


O sinal mais claro do risco da gravidade económico-financeira da Região foi a manutenção, no final do ano de 2009, do Outlook negativo à economia regional da empresa de classificação de risco Moody’s, demonstrando que de 2008 para 2009 não existiram alterações significativas na probabilidade de risco de falência técnica da RAM que permitisse evoluir, por exemplo, para um outlook estável.
Razões de um rating em descida vertiginosa
Esta avaliação tem sobretudo a ver com a debilidade da economia madeirense, a dificuldade de gerar receitas e, principalmente, a dependência de recursos externos, em particular de endividamento excessivo.
Debilidade da economia
A debilidade da nossa economia é estrutural (mercado pequeno, distância dos centros de decisão,...) mas também é consequência da ausência de medidas concretas que alterem positivamente o ambiente empresarial que as nossas empresas se movimentam: quer no quadro fiscal, quer na transparência, quer nos custos de transporte, quer nos factores de competitividade onde o governo, pura e simplesmente, hibernou definitivamente para esta matéria. Mais grave é que a Madeira ostenta os famosos défices gémeos: orçamental e comercial.
A divida da RAM é anormal: para uma região com um orçamento de 1500 milhões a dívida, em todas as suas vertentes ultrapassa os 5 600 milhões de euros. O défice comercial demonstra a fragilidade do modelo económico de Jardim onde as nossas importações têm uma taxa de cobertura de apenas 15% (os Açores são 45%)  
Dificuldade de gerar receitas
A dificuldade de gerar receitas é uma das conseqüências mais óbvias da falência do modelo de Jardim. As opções de investimento público são uma autêntica árvore de natal cheia de custos e sem resultados líquidos para o desenvolvimento  do bem estar dos madeirenses. Verifica-se, com o PSD Madeira no governo, uma extrapolação grosseira entre crescimento conjuntural, pela via da adição de recursos financeiros externos (venham de onde vierem) traduzido em investimentos irrealistas (numa análise custo/beneficio), com o desenvolvimento sustentável onde esses recursos terão de ser pagos (sobretudo) com o resultado do investimento e ainda serem geradores de riqueza adicional.
Dependência de recursos externos
Finalmente, a incapacidade de gerar receitas e a necessidade de manter o monstro a andar (a frágil economia da Madeira e os interesses gerados em torno do regime) obriga a recursos externos, principalmente endividamento externo cujo efeito de médio e longo prazo é retirar riqueza aos madeirenses.
Dívida em crescimento sistemático
A observação estatística prova que o endividamento da RAM não pára de crescer de ano para ano. E para aqueles que se concentram na divida directa da RAM é preciso explicar (bem explicadinho) que passar o endividamento de uns agentes para outros não diminui a divida e, sobretudo, não a impede de aumentar. É o caso das engenharias PATRIRAM, Vias litoral e expresso e agora Via Madeira, entre outros (que ascendem a mais de 1 500 milhões de euros- um orçamento inteirinho!).
Um modelo que retira riqueza
O drama da madeira é que o governo regional do PSD estabeleceu um modelo que retira riqueza aos madeirenses.  É fácil de perceber, vejamos: o PIB cresceu em 2008 apenas 0,6% mas na prática nem cresceu, teve uma evolução negativa porque é preciso retirar o crescimento da componente de investimento da Zona Franca e os juros da divida; ou seja, desta forma, estamos mais pobres do que antes. É um modelo assente em investimento desproporcional à geração de rendimento, por isso, tem de recorrer ao endividamento para se financiar. Não há volta a dar porque o investimento proporcionado por esses meios não libertam meios financeiros nem para pagar os custos do investimento, muito menos para gerar riqueza adicional. O grande erro de concepção deste modelo jardinista é considerar que o beneficio de qualquer obra (estrada, marina, centro cívico) é todo o emprego e matérias primas que se utilizam aquando a sua construção. Nada mais falso porque isso é só o custo do projecto. Era expectável que essa obra gerasse meios para pagar o seu custo e criasse ainda riqueza adicional. Na maior parte dos casos não tem sido assim, mesmo admitindo que existem casos em que esta análise deve ser relativizada, infelizmente esta tem sido a regra do Jardinismo.
Mais uma vez importa sublinhar que quando o Governo de Jardim faz apologia de um PIB elevado esconde a verdadeira questão que é o nível de bem estar dos madeirenses que paradoxalmente está estagnado ou em recessão.
Por isso há uma razão adicional para abandonar o PIB enquanto indicador de desenvolvimento, além do efeito da Zona Franca, que é a taxa de endividamento da Região ao exterior, resultando assim no pagamento exacerbado de juros e comendo grande parte do bem estar dos madeirenses.
A região estará falida?
Sendo assim, com este enquadramento, o indicador PIB revela que a evolução da economia está baseada no endividamento e no investimento directo estrangeiro que passa pela Madeira mas que não fica cá!
Em conclusão, parece evidente que sem este endividamento era impossível a taxa de investimento que temos praticado e era impossível os níveis de consumo que auferimos. Por isso, só há um caminho: alterar o modelo de modo a que o investimento traduza uma efectiva criação de riqueza. Assumir que a Zona Franca provoca um empolamento no PIB que desvirtua a análise do crescimento económico e o seu impacto no bem estar. 

Como mudar de vida?
Para mudar tudo isto é preciso pensar numa séria e ponderada estratégia de diversificação da economia colocando no centro do desenvolvimento as empresas: único motor de desenvolvimento de qualquer região.  
Sabendo ainda que a acumulação de investimento físico está no limite máximo é indispensável que a Região coloque o acento tónico  na inovação na qualificação e I&D. Mas só se faz isto com estratégia e com vontade política. Precisamos de um compromisso com todos. Este governo não tem nem capacidade, nem visão estratégica, e, ainda por cima, está demasiado comprometido com interesses contrários aos exigidos para a dinamização de uma economia do conhecimento. Em jeito de brincadeira (mas muito séria), diria que se trocássemos Jaime Ramos por Steve Jobs  (em todos os sentidos) poderíamos ter um ciclo de crescimento económico com repercussões claras no bem estar das populações.
publicado no tribuna da Madeira

domingo, 31 de janeiro de 2010

José Manuel Rodrigues e o síndroma da traição criado pelo PSD!? Até quando?

Só é preciso saber que alteração à LFR vai José Manuel Rodrigues votar a favor. Não me parece que seja a que foi votada por unanimidade na ALRAM!

Vale ou não a pena discutir até à exaustão o tema do endividamento galopante da RAM e as suas consequência para os madeirenses? É ou não esta matéria bastante mais relevante que a famigerada LFR? Deve ou não existir um debate global, sistemático e com o governo a assumir todas as suas responsabilidades? A oposição na Madeira pouco pode fazer se esta legitima preocupação não se estender à sociedade, à imprensa...


Turismo: A degradação do destino Madeira

Segundo a AHP e através da ferramenta "Hotel Monitor" é possível concluir o seguinte:

ALGARVE
Sobre este destino no mês de Novembro e comparativamente ao período homólogo de 2008, a taxa de ocupação quarto fixou-se em 32,79% (valor que representa uma descida de 19,71% face ao mês de Novembro de 2008). O preço médio por quarto vendido subiu 8,73%.
Entretanto, relativamente aos meses Janeiro a Novembro de 2009 destaque na actividade hoteleira para a variação negativa na taxa de ocupação quarto (indicador fixou-se nos 57,46%), valor 14,86% inferior ao obtido no período homologo de 2008.

MADEIRA
No mês de Novembro e relativamente ao mesmo mês de 2008,a hotelaria deste destino turístico apresenta variações negativas nos seguintes indicadores: Preço Médio por quarto disponível (-13,09%) e preço médio por quarto vendido (-2,68%) .
Relativamente ao comportamento de Janeiro a Novembro de 2009, comparativamente ao mesmo período do ano transacto, registe-se a diminuição dos preços médio por quarto vendido (-2,36%) e disponível (-15,62%).

AÇORES
No mês de Novembro de 2009 a hotelaria deste destino turístico apresenta variação positiva no indicador preço médio por quarto vendido (+10,81%).
Relativamente ao comportamento de Janeiro a Novembro de 2009, destaque para o aumento no indicador preço médio por quarto vendido (3,63%) e á diminuição na taxa de ocupação quarto (valor 12,85% inferior ao obtido no período Janeiro-Novembro 2008).


Sobre isto vale a pena comentar o que tenho dito: um destino de qualidade não pode ostentar valores negativos de preço médio por quarto. E, quero sublinhar, que a dinâmica das low cost não tem ajudado. Bem pelo contrário, tem tornado mais evidente a falta de estratégia do destino por parte do Governo do PSD.

Ora bem!

Esta análise da semana de Luis Calisto (mais umavez) é um sinal  de que o jornalismo factual é um dos contributos mais relevantes para a pluralidade democrática. Luis Calisto faz uma análise sóbria e ponderada do estado da política na Região. Mais uma vez concordo com tudo e, permite-me (até) sublinhar que estou em total sintonia com as referências ao Presidente do PS Almeida Santos. Não escondo, porque também não estive calado em 2007 quando este Senhor afirmou pôr as mãos no fogo por Jardim a uma semana das eleições regionais, que com solidariedade desta o melhor é o PS M começar a arrepiar caminho rapidamente no que respeita à sua posição junto do PS nacional.

sábado, 30 de janeiro de 2010

É fundamental responsabilizar quem governa

A responsabilização política do governo regional do PSD é o único caminho adequado uma mudança no regabofe governativo que temos assistido. Naturalmente que neste percurso é preciso traçar estratégias robustas que impeçam cair nas armadilhas do PSD Madeira, como é o caso da LFR. Por isso este é um bom sinal da oposição. 

sexta-feira, 29 de janeiro de 2010

Olha o desplante do homem

AJJ tem a distinta lata de pedir a demissão de Sócrates e Teixeira dos Santos mas ignora deliberadamente o descalabro da sua governação: divida, despesismo, pobreza...Ora, é caso para dizer que falta-lhe muito mais que um espelho: falta-lhe vergonha na cara.

O estudo do BPI sobre a divida da RAM peca por defeito

Sobre a divida da RAM o estudo do BPI peca por defeito porque não faz referência à divida directa prevista no orçamento da RAM (230 milhões) à divida indirecta (290 milhões) à dívida aprovada no orçamento rectificativo (70 milhões) à divida administrativa (ronda os 130 milhões). Tudo junto é mais 720 milhões. Agora imaginem que o Governo concretiza a operação Via Madeira aprovada na ALRAM (mais 500 milhões). Significa que a divida pode aumentar 1200 milhões (i.e., 5 800 milhões de euros). Pouca coisa, não é verdade?

O grande paradoxo da Madeira

Hoje sublinho com propriedade (disse-o várias vezes!) que a Região ostenta um falhanço económico-financeiro como constata aqui o DN mas, em contrapartida, o responsável por esta situação (o governo sustentado pelo PSD Madeira) goza de sucessos eleitoriais nunca vistos e anormais numa democracia madura. Há explicações óbvias mas, nesta altura, deixo para outros fazerem a reflexão necessária!

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

OE: Falhanço do PSD

O PSD de MFL é uma coisa do outro mundo: andou destemido a negociar o orçamento e no fim abstem-se, mesmo sem ser capaz de introduzir uma única medida sua. Grande decisão, não acham?

E esta?

O Presidente da Comissão Europeia disse hoje, em Bruxelas, que os Açores são "a região portuguesa que melhor executa os fundos estruturais".


Durão Barroso, que falava após ter recebido o Presidente do Governo Regional, Carlos César, disse ainda que, agora que se prepara o orçamento comunitário, é preciso consolidar a doutrina de que as regiões ultrperiféricas merecem uma atenção especial.

Começou a propaganda ridicula. Agora todos percebem porque razão o PSD escolhe a dedo os representantes das Associações?

Na RTP Madeira o actual Presidente da ACIF fez uma extrapolação (GROSSEIRA) sobre o efeito dos 80 milhões(?) da revisão da LFR (sabe-se lá Deus que contas andam para aí!?) no emprego. 
Ora, o Dr. Duarte Rodrigues, pessoa que tenho o maior respeito, calcula a criação de 4 000 novos postos de trabalho. Há cosias fantásticas, não acham? até porque não percebi bem como pensa o dirigente em causa que esses 80 milhões podem gerar 4000 postos de trabalho. Com obras públicas ou entregando às empresas para investimento privado? Só uma nota: as sociedades de desenvolvimento gastaram 500 milhões e criaram pouco mais de 100 postos de trabalho, com a agravante de contribuirem todos os anos para aumentar a despesa corrente do Orçamento da Região. É a isto que se referia o Sr. Dr. Duarte Rodrigues?

A verdadeira discussão não se faz: mais dinheiro devia querer dizer melhor governação e prioridades adequadas

Em primeiro lugar anda para ai um histerismo por causa da diferença de transferências do OE entre a Madeira e os Açores. Qual é a novidade? Desde 2003 (pelo menos) que é assim. Ou seja, mesmo no quadro da anterior LFR os Açores sempre receberam mais e, curiosamente (ou não!) nunca ouvi uma única observação de Jardim e seus seguidores. Coincidência?

Em segundo lugar, não compreendo o que se passa com a (suposta) pro-actividade da oposição na Assembleia da República que faz um discurso feroz contra Sócrates no quadro da LFR mas, paradoxalmente,  tem a maioria e mesmo assim não aprova a revisão desta mesma lei? Coincidência?

Em terceiro lugar, que fique claro que gostaria que a Madeira tivesse muitos mais milhões mas infelizmente a estratégia do PSD que governa a Região impede que este desejo se concretize efectivamente por duas razões de fundo: 

a)em primeiro lugar porque recusa admitir que a Madeira tem problemas de desenvolvimento (é mais pobre que o resto do país, apesar do PIB elevado). Admitir isto significava colocar em cima da mesa não apenas uma LFR prejudicial aos madeirenses por sua própria responsabilidade (não recusou liminarmente o indicador PIB, até aceitou-o nas negociações da UE para os fundos (levando à perda de 500 milhões de euros) mas um novo discurso junto da UE para alterar a maior injustiça de todos os tempos provocada aos madeirenses;

b) em segundo lugar, porque quanto mais dinheiro tem a Madeira pior a governação e mais invertida são as prioridades do governo. Vejam só o último discurso de Jaime Ramos a convencer AJJ a encontrar mais obras públicas para alimentar o seu império construído à custa do Orçamento Regional e contra os interesses dos madeirenses. Coincidências?

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

Desviar atenções

Os discursos do PSD na ALRAM têm um objectivo: desviar todas as atenções dos madeirenses da medíocre governação social democrata e centrar a atenção no melhor símbolo de conquista de poder que alguma vez este partido foi capaz de garantir: a LFR.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Guilherme Mirambolante

Olhem-me só esta: para Guilherme Silva o PIB empolado foi imposto pela república (um mix entre PS e PSD, concerteza) durante a negociação da UE sobretudo a pensar numa negociação de uma lei de transferências para a Região que iria acontecer em 2007, ou seja 6 anos depois!? Pelo amor de Deus, este deputado do PSD faz tudo para defender o indefensável e chega mesma a ocultar que AJJ escondeu um estudo de Augusto Mateus que apresentava cenários alternativos à negociação com Bruxelas e até hoje não foi incapaz de garantir o cálculo do PNB regionalizado (único indicador capaz de expurgar os rendimentos que não ficam na Madeira), que desconfio até hoje (este senhor e outros) não faz a mínima ideia do que se trata!?

segunda-feira, 25 de janeiro de 2010

"Quem não sente não é filho de boa gente"

São nos momentos dificieis, nas alturas complexas e nas situações extremas que devemos estar preparados para afirmar convicções, valores e principios. A defesa da honra é porventura um dos capitais mais importantes daqueles que se respeitam a si próprios: condição fundamental para o respeito pelos outros. Mas a honra não é um capital exclusivo de uma pessoa. É também de uma organização ou de uma instituição. Ignorar isto, é colocar de lado o caminho da afirmação e do respeito institucional, indispensável para trilhar um caminho de sucesso entre pares.  Jamais baterei palmas a Almeida Santos. Não é teimosia, é a manifestação de respeito de um cidadão que sofre com o esforço para a mudança que os socialistas madeirenses procuram há 30 anos.


Entristece-me que o Presidente do PS, dr. Almeida Santos, escancare, aos olhos de todos, a sua agenda de interesses ao ponto de fuzilar na praça pública o que pode ter sido um relevante percurso político. Falar assim de Alberto João Jardim, do seu regime e da suposta dinâmica do desenvolvimento não é ignorância, não é simpatia, não é distração. É compromisso!  

  

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Governo da Região desnorteado

A noticia da divida de 80 milhões às farmácias é uma gotinha de água no oceano de desacertos deste governo do PSD. Anda tudo entretido a discutir pormenores enquanto o PSD dá cabo dos recursos dos madeirenses (invertendo prioridades e optando por políticas erradas) e atira a Região para um decalabro em descontrolo absoluto!

Incongruências

Apesar de independente, parece evidente que tenho procurado contribuir para a afirmação do PS Madeira e a construção de uma alternativa. Por isto e pelo esforço introduzido neste desafio não sou indiferente às opções do partido que represento na Madeira e muito menos aos sinais que vou observando. Por isso, tenho de dizer que estou confuso, triste e desolado. O PS Madeira precisa de uma afirmação consistente que passa por consolidar o seu discurso político de alternativa ao poder. Sendo assim, e porque acho que não vale a pena me alongar muito mais nesta matéria, há duas individualidades das estrututuras do PS Nacional que não deviam, em curcunstância alguma estar associadas ao futuro do PS: Jaime Gama e Almeida Santos. Não entender isto é manter o status quo e prescindir de um percurso próprio!

E esta?!

Para Manuela Ferreira Leite, a proposta de revisão da LFR é um assunto lateral.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Sair da Caverna


Depois de ter escrito uma curta reflexão sobre as expectativas para a economia da Madeira para o ano 2010, que publiquei no meu blogue pessoal, senti um calafrio que me deixou cabisbaixo.
Curiosamente, não por causa da dura realidade com que seremos efectivamente confrontados, mas porque verifico com tristeza e, sobretudo, com uma espécie de humilhação inultrapassável, as semelhanças daqueles que ousam pensar e contar diferente,  com o  homem da caverna que Platão genialmente descreveu na sua conhecida alegoria d’“o mito da caverna”.
Platão quis mostrar que devemos aprender a pensar por nós mesmos e, principalmente, que é preciso aprender a ver não só o que as pessoas que têm o poder nos mostram, mas ver para além disso e até diferente disso.Há, entre nós, muitos que não querem sair da caverna. Pior. Há entre nós alguns que criticam duramente os que saem da caverna,  fazendo, assim, cair sobre si mesmo, e sobre os restantes, um forma de comodismo insuportável e, sobretudo, castrador de uma sociedade moderna, aberta e criativa.
Não tenhamos nenhuma ilusão: O que o poder regional nos serve diariamente é-lhe útil para transmitir a ideia (já desgastada) de um admirável mundo de sombras projectadas numa caverna escura e repleta de contradições. Ou saímos dela e procuramos a realidade, ou deixamo-nos envolver nesse jogo escuro de obstáculos e mentiras. Sair da caverna é difícil. Implica uma estóica vontade de saber a verdade. Mas, voltar para contar aos que ficaram pode ainda ser pior, como nos descreve Platão. Na verdade, ninguém gosta. Eu pelo menos não gosto, de ser ofendido na minha honra, nos meus princípios e naquilo que é o essencial do meu pensamento, de forma gratuita ou mesmo por “preguiça” de conhecimento. Por isso, ser mensageiro de “novas verdades” ou de uma outra realidade é um fardo pesado na caverna em  que alguns  escolheram  viver e, pior ainda, querem impor aos outros. Quanto mais ouvirmos, quanto mais soubermos, quanto mais discutirmos, menos sombras nos iludirão. Este poderia muito bem  ser a essência de um desejo de inicio de ano novo. Mas um ano não chega. É preciso mais tempo. Mas também mais gente com mais coragem para afastar-se do logro cómodo das sombras que nos iludem sistematicamente, sem qualquer hesitação e com uma feroz vontade de atropelar os interesses comuns.
Assim, depois de tudo isto, sobra um nó na garganta de quem espera  um ano de dificuldades sempre ocultadas, de realidades ficcionais e de responsabilidades nunca assumidas a atribuídas a quem de direito e que, de facto, devia assumi-las.
Para 2010 seria mais cómodo ficar na caverna. Muitos ficarão. Mas a imprudência quase sempre resulta mal, por isso falarei a verdade. Como escreveu Italo Svevo, sobre o seu próprio livro “Senilidade”, “não existe unanimidade mais perfeita que a do silêncio”, por isso não se trata de ser ou não generoso, de ser ou não pessimista, de ser ou não prudente. Trata-se sim da constatação insuperável de que é preciso que o juízo sobre o governo de Jardim não seja uma obra prima da propaganda. Não é um desafio partidário. Enganam-se os que procuram aí a justificação para a critica legitima às decisões fracassadas do governo em exercício na Região. É um projecto para a sociedade madeirense.
Mas esta constatação encerra um sentido irónico e paradoxal na nossa trágica existência quotidiana. Na verdade, depois  de uma severa multiplicidade de erros, cumplicidades perversas e prevaricações óbvias por parte de um governo que, além de amador, é também uma espécie de “holding” de interesses. Aparentemente, nada motiva a sociedade à mudança: nem um mau governo; muito menos a corrupção, onde a haja, e menos ainda o desacerto na utilização dos recursos. Faz-me pensar se todos estamos a cumprir o nosso papel em democracia. Faz-me desejar que todos façamos um esforço para sair da caverna e voltar para contar o que vimos. Só assim pode arrancar o projecto de mudança. E mais cedo do que tarde, confrontar-nos-emos com ele. Ninguém foge ao seu Destino. Nós cumpriremos o nosso.
publicado no DN Madeira



segunda-feira, 11 de janeiro de 2010

2010: A governação não criou condições para a bonança!


As expectativas para 2010 devem ser analisadas à luz das opções tomadas no passado e tendo presente a estratégia de governo vertida no orçamento regional para 2010.
Por isso, não vale a pena falar do futuro, de forma sustentada, sem três premissas complementares: 1) o diagnóstico económico-social da RAM; 2) o percurso mais recente da economia regional; 3) e as opções de política económica que nortearão a governação regional em 2010 e, portanto, as respectivas expectativas futuras.
1. Diagnóstico económico e social
Os indicadores disponíveis obrigam a uma reflexão profunda quer na economia quer na componente social.
Na economia destaca-se o seguinte:
a.                    a crise no turismo, onde todos os dados disponíveis apontam para a depreciação gradual do destino (queda sistemática do Rev Par e das taxas de ocupação,por ex.);
b.                   a paragem brusca e inevitável do investimento público, decorrente da ausência de meios financeiros próprios para o financiar;
c.                    a incapacidade do Centro Internacional de Negócios da Madeira (CINM) de catapultar uma dinâmica de crescimento económico que possa substituir (ou ser complementar) às dificuldades do turismo. Tudo por culpa de um poder adormecido face às potencialidades do CINM;
d.                   a crise da construção civil, sector que imprimia um natural aquecimento à economia mas que dependia exclusivamente do sector público e do turismo, ambos em crise profunda; 
e.                    o crescimento da dívida pública que retira margem de manobra ao governo regional para a apresentação de medidas anti-cíclicas coerentes e eficazes;
f.                     a erosão da propensão ao consumo e ao investimento por parte do mercado interno em virtude da ausência de uma política fiscal competitiva; 
g.                    o efeito sobre a economia de opções erradas de investimentos cujos encargos de manutenção aumentam a despesa corrente e não libertam meios para a amortização da divida. Estas opções resultaram num custo de oportunidade cujas conseqüências negativas ainda são difíceis de avaliar.
h.                   O efeito sobre as PME’s regionais da ausência de pagamento a tempo e horas aos fornecedores regionais provocando um garrote asfixiante à actividade do sector privado endógeno;
i.                     Um sector privado frágil e cada vez menos dinâmico. A RAM foi a Região do pais onde, no último ano e de acordo com a empresa D&B, mais empresas pediram a insolvência e one o risco comercial é mais elevado conduzindo ao aumento exponencial das dificuldades  dessas empresas se financiarem junto da banca.  
Na área social destaca-se o seguinte:
a.     um desemprego que não pára de crescer. Numa população activa de 126 000 indivíduos a RAM já ostenta mais de 13 500 desempregados. Uma taxa que já supera os 10%. Superior à media Europeia;
b.     níveis de pobreza superiores à media nacional. Segundo alguns estudos, designadamente o último do banco de Portugal, mas também o apuramento realizado pelo INE sobre o rendimento das famílias, a RAM é, por um lado, a região do país com mais pobres, face ao global da população, e por outro, é a região do pais, a par da região norte, com o risco de pobreza mais elevado;
c.      é a região do pais com piores índices de conforto;
d.     é uma das regiões com rendimento primário menor do que a criação de riqueza produzida, indiciando disparidades entre a riqueza e a distribuição de rendimentos.
e.     Ostenta problemas graves, e em crescimento, de alcoolismo, e de toxicodependência. Alem do aumento evidente do crime, mesmo que menos violento mas denunciando a fragilidade social que nos encontramos.
Perante este cenário sócio-económico importa reflectir sobre o que nos fez caminhar para esta trágica situação.
2. A evolução recente
Contudo, não me parece relevante, ou mesmo prudente, o discurso catastrofista ou fatalista. Antes, é necessário muito realismo e pragmatismo de modo a ser possível aplicar todas as iniciativas capazes de retirar a região deste beco estreito que a governação do PSD nos atirou. 
Nada disto aconteceu por acaso. Vejamos alguns episódios relevantes da governação dos últimos anos.
A criação de riqueza da Madeira não tem parado de dar mostras de perder toda a pujança dos anos 90. O PIB real da RAM passou de um crescimento de 4% em 2004 (ano de eleições) para 0,6% em 2008. Nos Açores o crescimento real de 2004 foi de 2,2% e em 2008 foi de 2,3% (ver quadro infra)


Madeira (crescimento do PIB real)
Açores (crescimento do PIB real)
2003
-3,6%
0,6%
2004
4,0%
2,2%
2005
2,0%
2,1%
2006
3,0%
3,1%
2007
1,5%
1,9%
2008
0,6%
2,3%



 (fonte: INE)
Como se verifica pelo quadro anterior com a crise de 2003 a Madeira apresentou um crescimento negativo do PIB real e os Açores mantiveram crescimentos positivos. Alem disso, apesar da propaganda o crescimento real da economia Madeira tem sido sistematicamente à dos Açores. Esta constatação não é um regozijo mas antes um alerta para a necessidade de arrepiar caminho e introduzir o modelo de desenvolvimento adequado que tire todas as vantagens das potencialidades económicas que a RAM ostenta.
Nada disto é por acaso. Na verdade, a Madeira ostenta desde 2000 fragilidades na dinâmica de investimento, tendo mesmo registado as reduções mais bruscas e mais significativas na FBCF (formação bruta de capital fixo) nos últimos anos. Entre 2000-2005 a RAM foi a segunda região com menor formação bruta de capital fixo (menos investimento). Pior. Em 2006 a Madeira registou a segunda maior redução de investimento do pais (27%).
  No desemprego a Região passou de uma taxa de 3% em 2004 para, num crescimento galopante ao longo dos anos, passar a apresentar ,no final de 2009, um resultado que não pode orgulhar ninguém e que ascende aos 10%, são mais de 13 500 desempregados.
Apesar do suposto aumento do crescimento económico (discurso pouco credível como se verifica pela análise do quadro em cima) a pobreza não deu mostras de diminuir e hoje, infelizmente a Madeira é, por culpa própria, a campeã nacional nesta matéria.
Perante tudo isto as contas públicas também não pararam de evoluir negativamente. Só dois exemplos: despesas correntes crescem todos os anos demonstrando uma governação despesista sem paralelo e a divida pública (hoje superior a 5 000 milhões de euros) em descalabro desde 2 000 onde, por exemplo só a divida indirecta aumentou mais de 1 000%. Hoje ascende (ascenderá em 2010) a 1 500 milhões de euros.
Sobre esta situação os sinais de alerta são evidentes e têm duas formas: a origem do endividamento é preocupante porque financia investimento irracional e improdutivo e, por outro lado, o pagamento desse endividamento cairá sobre os nossos filhos que sem meios libertos para pagar a divida ficarão, ainda mais, dependentes de recursos e dádivas externas. Pode ser o rombo final numa autonomia que supostamente deveria ser bem sucedida.
Mas este problema é agravado pela expectativa de uma diminuição do rating da RAM, decorrente de endividamento excessivo, de opções de investimento erradas de de necessidade de recursos externos, cujo Outlook da Moody’s, no fim de 2009, passou para negativo.
Mais grave ainda é que durante os anos que precederam a negociação dos fundos europeus hoje em vigor a governação de Jardim não quis ou não soube (qual delas a razão mais grave) impedir que a Madeira perdesse 500 milhões de euros da União Europeia e passasse a ser considerada uma região fora da coesão e, portanto, rica aos olhos dos europeus. Esse “feito” da governação do PSD afecta hoje seriamente as contas públicas da RAM e a capacidade de investimento que permitisse inverter o modelo de desenvolvimento.

 3. As expectativas futuras
Ora  o que se espera do futuro para a Madeira não pode ser abstracto. Tem de ser analisado à luz das opções de política do governo que nos (des)governa. Para isso vale a pena um olhar resumido à proposta de orçamento para 2010 do governo de Jardim e concluir o seguinte:
1.     É um orçamento inquinado com um endividamento irresponsável, não traduz opções de diversificação da economia, remete para a manutenção de uma política de investimentos públicos que, em alguns casos devia ser totalmente abandonada, noutros devia ser remetida para outras alturas de mais folga orçamental.

2.     O excesso de endividamento representa mais de 5 000 milhões, numa economia que produz por ano, em média 4 700 milhões (incluindo o empolamento da Zona Franca) , e que tem um orçamento financiado com mais de 45% de (mais) dívidas. Mas mais grave que tudo isto é que se esse endividamento fosse orientado para investimento reprodutivo. i.e. que produzisse riqueza e emprego e libertasse meios para o pagar, o governo estava a injectar adubo na economia. Mas, infelizmente nada disso acontece. O governo está simplesmente a apunhalar a nossa economia, onde as dividas actuais  já servem para pagar dívidas do passado.

3.     O governo não tem visão estratégica. Ficamos sem saber o que quer o governo com a diversificação da economia. Para isso era preciso estratégia e acções concretas mas o governo mostra com o seu plano que:

a.     Não quer mais sectores porque na verdade não tem apostas consistentes que permita uma verdadeira diversificação.
b.      Não quer mais sectores porque mantém a actuação da SDM num registo de planeamento fiscal e de parceria adormecida por parte do Governo da Região.
c.      Não quer mais sectores porque não aposta decisivamente em investimento público que atraia outros áreas de desenvolvimento.

4.     Tão grave como a ausência de diversificação da economia, porque afecta directamente a competitividade das PME’s e o emprego, é a passividade doentia do governo na resolução do problema dos transportes marítimos. Esta intolerável situação, cuja resolução não tem custos, diminui a competitividade das empresas e o poder de compra das famílias.

5.     No âmbito das empresas e do sector privado, e designadamente das PME, era esperado mais arrojo mais coragem. Porque o investimento privado não se faz por decreto era preciso acções concretas em áreas determinantes como:

a.     propostas de índole fiscal
b.     Fundo de recuperação de empresas
c.      Apoio à reestruturação de dívida
d.     Regularização efectiva de dívidas a fornecedores e de redução dos Prazos Médios de Pagamentos
e.     reforço do investimento em I&D
f.      programa de contenção de emprego em sectores como o turismo

6.     Na área do Investimento Directo Estrangeiro, sector essencial para a diversificação da economia e para o aumento da riqueza da Região era fundamental:
a.     a reestruturação da gestão do CINM
b.     O estabelecimento de objectivos concretos à Zona Franca
c.      O programa de apoio ao investimento directo estrangeiro

7.     Na área social importa realçar o que o PSD e o Governo nem quer ouvir falar, nem colocou no orçamento:
a.     Além da redução do IRS e das propostas fiscais com impacto social, como, por ex., penalizar as concessões “oferecidas” (numa lógica de monopólio administrativo) pelo GR, para ajudar a financiar a crise;
b.     Descongelar o tempo de serviço da administração pública e professores, como medida de total justiça social e de impacto na propensão ao consumo;
c.      Lançar um programa especifico de luta contra a pobreza, determinante para estancar os problemas crescentes da má de distribuição do rendimento promovido por um modelo de crescimento económico que mantém à margem do desenvolvimento franjas significativas de população;
d.     Apoiar com medidas efectivas os mais velhos, designadamente os reformados com pensões abaixo do limiar de sobrevivência;

Ora, perante este cenário em que as soluções não são compatíveis com as necessidades dos madeirenses e onde a estratégia para 2010 da governação traduz-se numa espécie de rol de obras inconsistentes e de dividas galopantes resta-nos esperar pelo pior.
Ou seja, a crise externa que o mundo atravessa terá na Madeira um local fértil para se expandir e se estabelecer contando para isso com o forte apoio do governo de Jardim. Parece óbvio que, com este panorama e esta acção política, em 2010 tudo será ainda pior e devo, obkectivamente, destacar:
a.     Aumento do desemprego
b.     Aumento das falências
c.      Aumento as bolsas de pobreza
d.     Aumento da insegurança
e.     Aumento da desconfiança junto dos empresários
f.      Aumento de forma irresponsável do endividamento para objectivos pouco prudentes
g.     Afastamento irreversível do investimento privado, com investimento público irrealista, irracional e sem retorno
h.     Consolidação do ónus para as gerações vindouras, hipotecando a esperança dos nossos filhos

domingo, 10 de janeiro de 2010

Parabéns ao Jacinto

Jacinto Serrão é o novo Presidente do PS Madeira, abre-se um novo ciclo.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Victor Freitas à frente

Depois de um dia de grande participação dos militantes do PS Madeira nas directas para eleição do Presidente  a candidatura de Victor Freitas parte, para este último dia de votação, com 10% de avanço.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2010

Um novo fôlego para a alternativa

Há matérias de regime onde o PS Madeira deve ser capaz de gerar consensos alargados com toda a oposição. Na minha opinião, o único caminho possível para a construção de uma alternativa é, em primeiro lugar, através da destruição dos entraves à democracia e à opacidade das opções de política económica. Esse desafio deve estar acima dos meros interesses partidários da oposição.

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

O mais importante...

Apesar da importância da pasta das finanças, o que faz verdadeiramente a diferença na robustez de um país ou de uma região é a economia. Infelizmente nem políticas nem opinião publicada parece perceberem esta óbvia evidência!

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

"Porra" de vida

Acabo de saber que um amigo está no hospital gravemente ferido. Estou arrepiado de revolta, confuso com esta vida e triste. Muito triste. Espero o melhor, espero uma recuperação rápida. Espero sentir os bons méritos das esperança que ainda sinto. Quero voltar a falar-lhe como fazíamos antes. Resta-me ter fé... 

domingo, 3 de janeiro de 2010

Madeira: o mesmo e bastante mais forte

Na análise da semana do DN Madeira, através de Luis Calisto,  este lembra o que me parece óbvio: onde pára o Presidente da República quando uma das regiões de Portugal, por acaso com governo próprio e com uma assembleia, passa pelo mesmo e muito mais que a república e nem um comentariozinho deste "corajoso" Presidente? Por isto, faz-me olhar para a mensagem de Cavaco Silva com suspeitas significativas da sua imparcialidade e do seu objectivo!!

sábado, 2 de janeiro de 2010

RTP Madeira, como sempre!

A RTP Madeira ao colocar a entrevista dos dois candidatos à liderança do PS Madeira no fim do telejornal demonstra o estado daquele serviço público. Realmente, não entendo o que anda nas cabeças daqueles com responsabilidades no alinhamento de programas como o telejornal. Será que ninguém entende que o futuro do PS Madeira não é um assunto apenas da dinâmica partidária mas uma matéria de interesse dos madeirenses? É claro que entendem até porque estou farto de ouvir alguns lamentarem o estado o PS, o comportamento do PS, isto e aquilo do PS. Mas, como sempre, na hora de colocar as questões no lugar certo atiram para um espaço secundário um assunto muito relevante para o futuro da Madeira mas, eventualmente, bastante perturbador para o poder actual da Madeira!




Marco Gonçalves confirma pressão do GR para afastar Manuel Martins...

Acabo de ouvir o padre Março Gonçalves, aparentemente o responsável pela comunicação da diocese do Funchal. Se tinha quase a certeza das pressões implícitas do GR à diocese do Funchal para afastar o padre Manuel Martins, o modo como este responsável abordou a questão não me deixa qualquer dúvida. Este Senhor padre abordou o tema dizendo qualquer coisa como: "...o padre Jardim Moreira devia se preocupar com a terra dele???..." Meu Deus (apropriado, não?) onde já ouvi isto? Sinceramente Senhor Padre Marco Gonçalves não é a primeira a vez que o oiço mas já não resisto a lamentar o seu comportamento de grotesca parcialidade com as forças do poder da Região. Lamentável e desesperante, sobretudo para mim que  quer uma igreja preocupada com os seus fieis, próxima do povo e não uma espécie de instituição de segunda categoria procurando fazer pior que muitos políticos! 

O casamento entre pessoas do mesmo sexo...



Em primeiro lugar nada me move contra a agenda homosexual. Digo mesmo que, por formação, não tenho qualquer preconceito contra a  diferença ou opções distintas das que defendo. Até porque o preconceito é o mais próximo da incoerência e hipocrisia. Contudo, também não seria razoável ser defensor incondicional daqueles que defendem um modelo em que o casamento assume contornos diferentes daqueles em  que acredito.
Por isso, estou sobretudo movido por princípios  de consciência que me obrigam a defender o casamento tradicional e da família como sustentáculo do modelo social que sinto ser o mais apropriado.   
Ora, o casamento é uma das peças fundamentais da sociedade moderna em que a homossexualidade não está simbolizada (no casamento, como é claro). Mas isso não significa   marginalizar a homossexualidade, obviamente. Por isso, não me repugna nada a união de facto, ou até uma união jurídica específica que talvez seja, porventura, o instrumento certo para adequar eventuais pretensões dos homossexuais. Ou seja, que fique claro que  o “casamento homossexual” não é determinante para garantir os benefícios jurídicos do matrimónio, pelo que o argumento da discriminação é frágil e insutentável.
Por outro lado, o “casamento homosexual” não resolve problemas essenciais da sociedade portuguesa como, por exemplo, a fraca natalidade, sendo por isso uma matéria de prioridade duvidosa, ainda por cima na situação difícil que vivemos onde todas as energias são poucas para o desenvolvimento do país.  O que não quer dizer que não respeite os que acham isso importante.
Por outro lado, “casamento entre homossexuais” coloca em causa o sentido efectivo da instituição casamento. Vejamos. O casamento  sem direito à adopção não é concebível porque viola princípios básicos da estrutura do casamento. Ao admitir, no caso de uma das propostas em discussão, que ao “casamento homossexual” está vedada a adopção, está implicitamente a admitir-se que não se trata de um verdadeiro casamento. Mas, ao mesmo tempo, a adopção  por casais homossexuais conduz, julgo eu, e os peritos e psicológos que o confirmem, a fragilidades graves no modelo de família que defendo onde a presença feminina e masculina se complementam. Não se esqueça que aqui há, eventualmente,  nalgumas propostas, direitos de seres respeitáveis e determinantes, como são os direitos das crianças. Assim, para mim fica completamente posta de parte a possibilidade de defender casamentos entre homosexuais.
Sendo assim, por imperativo de consciência e pelas razões que enumerei estou contra a legalização do casamento entre homosexuais. Adimito como solução uma união jurídica com direitos e deveres dos indivíduos cuja orientação sexual diversa é respeitável .


APONTAMENTO

DOIS FACTOS QUE NOS DEVEM FAZER REFLECTIR:

1. O PADRE MANUEL MARTINS FOI AFASTADO DA SÉ CATEDRAL POR NÃO SE SUBMETER À DOUTRINA JARDINISTA, ONDE, OBVIAMENTE, A DENÚNICIA, MESMO QUE INDIRECTA, DA FRAGILIDADE DO REGIME NÃO É ADMITIDA PACIFICAMENTE;

2. NOS AÇORES, O REPRESENTANTE DA REPÚBLICA DIRIGIU-SE, NA MENSAGEM DE FIM DO ANO, AOS AÇORIANOS E FEZ O SEU PAPEL CHEGANDO MESMO A CRITICAR O REGIME DE CÉSAR. NA MADEIRA, O NOSSO "REPRESENTANTE" ANDA HÁ ANOS COM QUEIXINHAS INCONSEQUENTES E QUASE INCOMPREENSÍVEIS...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Um feliz ano de 2010 para TODOS


terça-feira, 29 de dezembro de 2009

O adiamento do código é a melhor solução...

Concordo com o adiamento do código contributivo. Considero que o governo deve-se concentrar na dinamização da competitividades das empresas portuguesas de modo a recuperar emprego. E, convenhamos, o código contributivo não era um decisivo contributo para este importante (e indispensável) desafio. Quanto ao comportamento de Cavaco Silva, nem merece comentários. Tem demonstrado não estar à altura do cargo e não ser a referência fundamental para a estabilidade que o país precisa.

A irresponsabilidade descarada!

Este que devia colocar on-line os diários da ALRAM (segundo dizem é o responsável pelo site miserável que o parlamento regional apresenta!) diverte-se a reproduzir as sessões da Assembleia da República, designadamente aquelas em que ele acha que pode ajudar a transformar a sua habitual propaganda numa "coisinha" ainda mais poderosa. Uma palhaçada!

segunda-feira, 28 de dezembro de 2009

O PSD de cabeça perdida...

A estratégia de desregionalização da Madeira por parte do PSD está em curso e, como já afirmei, era preciso que o PSD explicasse o que anda a tentar "doutrinar" ou quem procura responsabilizar agora.  Na verdade, este desespero evidente de quem já não tem soluções resulta da efectivamente do falhanço negocial do PSD na regionalziação de certas matérias e na incapacidade de gestão em áreas como o aeroporto (veja-se a falência da ANAM). Neste momento acho que AJJ, e os seus, só têm pena da APRAM também não ter resultado de uma regionalização porque se assim fosse era possível mandar para cima da república. Um desnorte...

Mais uma consequência do desacerto do PSD Madeira

O outlook para a Madeira da Moody's (empresa de rating) passou a negativo num relatório divulgado em Dezembro deste ano. Esta é uma conclusão natural face ao excesso de endividamento, às opções de investimento catastróficas e à dependência da RAM de recursos externos.
O "outlook" pode ser positivo, estável ou negativo. Ao ser negativo, pode significar uma diminuição de rating nos próximos meses e mais um problema para o financiamento da economia regional, não apenas da dívida pública mas também para as empresas...

quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Os resultados (negros) da governação PSD

De acordo com os últimos dados do INE, em 2008, o PIB da RAM só cresceu 0,8% (o dos Açores cresceu 2,1%). Tendo em conta que a Zona Franca influencia o PIB em 21% e que a sua dinâmica condiciona a evolução do PIB estes 0,8% querem dizer que os principias sectores da actividades económica da RAM entraram em situação critica, incluindo a Zona Franca que já nem é capaz de puxar o crescimento do PIB. Nada de surpreendente, pelo menos para mim! 
Se pensarmos que 2009 foi, porventura, um dos piores anos de sempre em termos económicos, percebe-se que o PIB da RAM já deve navegar em águas negativas e por isso o desemprego tem disparado como nunca se viu, até porque o peso da divida da RAM impede seriamente a aplicação de medidas anti-ciclicas por parte do GR. Mais ainda, em 2010, de acordo com a análise do orçamento do PSD para esse ano, poderá se agravar ainda mais tudo isto na medida em que mantém, e em alguns casos se agravam, os erros da governação jardinista: despesismo, divida e prioridades de investimento invertidas.

Quanto ao desemprego: desde o inicio de 2009 que a Madeira, mês após mês, tem sido, a par com o Algarve, a campeã de subida do desemprego. São hoje mais de 13 500 desempregados, sem contar com um números significativo envolvido em programas de formação de suporte ao desemprego. Ora, sendo assim, tendo em conta que a população activa é de 126 000 indivíduos, o desemprego da RAM já ultrapassa os 10%.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

A nova estratégia do PSD: a desregionalização

O PSD deu inicio ao processo de desregionalização da Madeira. Argumento principal? Falta de competência do governo regional do PSD. Primeiro foi o Vice Presidente que perante um processo de regionalização consolidada da educação e da saúde afirmou, subtilmente, que não quer nada disto. Quer que o estado fique com tudo porque sai caro e não tem resultados melhores. Pelo contrário. são piores (digo eu!). Agora é a Secretária do Turismo e Transportes a entregar ao estado a ANAM, depois do seu governo ter falido a empresa. A verdade é que entregando ao estado ficamos todos melhor: sem divida e com taxas aeroportuárias mais baixas. O que vem a seguir?