Discutimos
hoje esta proposta de Orçamento para 2010 numa altura particularmente
relevante: passaram-se mais de dois anos desde as últimas eleições provocadas
ostensivamente por Alberto João Jardim.
Os
resultados dessa atitude são desastrosos e deviam indignar de vergonha o
partido do poder. Na verdade, as alegadas razões para a demissão, como se sabe,
não vieram a ter uma correspondência na prática, por uma lado, e, por outro,
nada foi alcançado através desta atitude irresponsável e inconsequente. Antes
pelo contrário, estamos pior do que estávamos em 2007, em todos os aspectos:
.
mais desemprego,
.
mais falências,
.mais
risco empresarial,
.
mais endividamento,
menos cooperação institucional,
mais pobreza,
mais desnorte. Muito mais desnorte e
desgoverno.
Por
isso, estamos perante mais um momento parlamentar recheado de profundo
significado político, não tanto pela análise do orçamento, quase sempre um
despique inconsequente, em que a maioria do PSD exalta a governação Jardinista
ao ponto de deformar a realidade e, ainda por cima, tem o desplante de urdir
soluções quase sempre desconexas com as necessidades das empresas e das
famílias madeirenses.
Mas,
sobretudo, porque o ciclo social-democrata, e em particular o governo regional
do PSD, passa por turbulências insustentáveis que ameaçam expor ostensivamente o regabofe
governativo.
Senhor
Secretário das Finanças,
Com
esta proposta de orçamento para 2010 a Madeira pode concorrer, sem hesitação, à
melhor montra para a pior governação.
Mas
importa referir que nada disto é estranho.
A
táctica grotesca do PSD de eleger-se a si próprio defensor dos madeirenses e a
outros apelidar de partidos traidores (não a todos, sublinhe-se em abono da
verdade), numa dicotomia de bons e maus, própria dos regimes totalitários, esconde o que de mais infame
caracteriza o PSD Madeira:
um
partido conspirador;
hábil
a criar fantasmas;
forte a arrastar incautos;
persecutório aos que o criticam;
decisivo a impor, sem hesitações, os
discursos oficiais do regime em prol do poder mas, quase sempre, contra os
interesses dos madeirenses, conforme se percebe pela desfaçatez deste orçamento
Neste
contexto, o orçamento para 2010 é um mero exercício de retórica política que
sustenta as opções tresloucadas de um governo habituado a gastar muito e a
gastar mal,
a pensar pouco e sem profundidade
estratégica e
a pedir demais, sem critério ou
ponderação.
Por
isso, 40% das receitas previstas no orçamento (cerca de 678 milhões de euros)
são endividamento (230 milhões - directa + 290 milhões - avales) e operações
extraordinárias (158 milhões) que, no limite, também configuram endividamento.
Por
isso, a divida para 2010 é uma espécie de comboio a alta velocidade e em
perfeito descontrole:
a dívida directa, a indirecta,
a dívida do Sector Público Empresarial
(não avalizado),
a titularização de crédito,
as operações da PATRIRAM,
os Encargos Assumidos e Não Pagos
e as operações extraordinárias, como a Via
Litoral e Via Expresso, estas duas consideradas endividamento efectivo pela
análise do Tribunal de Contas,
já ultrapassam largamente os 5 000
milhões de euros, mais 110% do PIB.
Este é um número quase trágico,
sobretudo se tudo se mantiver como está. E todos sabemos, o que isso significa do ponto de vista
técnico e do ponto de vista político.
Mas
o alarme pode ser ainda mais vigoroso se, em meados de 2010, o governo der seguimento
a uma vontade esdrúxula, quase estravagante, mas volto a sublinhar pouco
responsável, ao concretizar mais um empréstimo de 500 milhões de euros no
quadro da operação Via Madeira.
Serão
outros tantos milhões que engrossarão, ainda mais, a dívida da Região e
obrigarão ao aumento severo das responsabilidades plurianuais do governo (fora
os encargos da dívida directa) que, só em 2010, será de 218 milhões mas em 2012
já estão inscritos 317 milhões.
Com
a operação Via Madeira pode-se aumentar 75 milhões em 2011 e mais 75 milhões em
2012, e assim sucessivamente por mais 23 anos.
Ou
seja, o orçamento da região está hipotecado não apenas pela dívida directa e
indirecta mas por estas operações ruinosas e levianas que retiram margem de
manobra para encontrar soluções à emergente calamidade social.
Só para precisar, e para que não restem
dúvidas:
sem
a Via Madeira, em 2010 e 2011, 15% do orçamento vai directamente para os cofres
das vias expresso e litoral e em 2012 já são quase 25%. Com a via Madeira, e
com mais 500 milhões de endividamento, o Orçamento da Região ficará hipotecado
por 25 anos, em mais de 35%.
Ora,
numa região que pede 40% ao exterior, e o Senhor Secretário Regional da
Finanças ainda tem o desplante e a ousadia de falar em orçamento equilibrado,
não demorará o dia que o governo quererá (como já aconteceu) que a oposição
defenda empréstimos para o pagamento dos fornecedores destas operações levianas
e descontroladas.
Ou
seja, o problema dos fornecedores esconde o problema do garrote governativo.
Ignorar tudo isto é passar uma esponja sobre os erros cometidos nas opções de
investimento que não têm, de maneira nenhuma, a concordância do grupo
parlamentar do PS Madeira.
Senhor
Secretário das Finanças,
As
receitas próprias da Região são significativas embora nem cheguem para pagar o
funcionamento da máquina da administração pública.
Além
disso, como habitualmente, este orçamento, ignora as previsões económicas, não
revendo em baixa as receitas fiscais contidas na proposta. Já em 2009 ignorou
esta circunstância. O PSD fez ainda pior, votou contra a proposta de
rectificativo do PS Madeira que alterava muitas das opções de despesa
permitindo um melhor amortecimento da crise.
Mas,
voltando ao orçamento para 2010,
num tempo difícil em que as opções do passado por parte do PSD empolaram os
efeitos gerais da crise internacional, esperávamos uma atitude sóbria e de bom
senso do Governo de que V. Exa. faz parte.
Esperávamos
uma redução de impostos que oferecesse à política fiscal um sentido estratégico
e uma orientação social.
Estratégico,
no quadro do sector privado, de forma a reforçar o emprego e potenciar a
criação de riqueza;
uma
orientação social sobretudo no quadro das famílias, de modo a diminuir o peso
fiscal que contribui para afogar ainda mais o orçamento familiar.
Não
pedimos nada de novo. Pagamos em média mais que 600 euros por ano que os
açorianos. Era Possível baixar o IRS, baixar o IRC, e ir muito mais além na
política fiscal, introduzindo todas as possibilidades disponíveis na LFR em
prol do desenvolvimento sustentável, colocando a economia ao serviço das
pessoas.
Era desejável e é possível mas não com
um governo acomodado, pouco criativo,
pouco reformador e com pouca competência na acção governativa.
O
que este governo do PSD tem de excesso de falatório inconsequente tem de défice
na actuação efectiva.
Senhor
Presidente
Senhor
Secretário
Senhoras
e Senhores Deputados
Este
orçamento apresenta um saldo primário negativo na ordem dos 136 milhões.
Isto significa que vivemos bastante
acima das nossas possibilidades e que já estamos a pedir dinheiro para pagar
dividas antigas.
Estamos perante o sindroma do novo
pobre: uma região à beira da bancarrota, num verdadeiro colapso financeiro.
Se
a isto juntarmos as necessidades de recursos “alheios” em cerca de 40%, como já
referi, os encargos crescentes com juros da divida, os encargos com as
operações extraordinárias que configuram endividamento e um plano de
investimentos em que mais de 30% são dividas contraídas e não pagas, portanto
de projectos virtuais, a governação do PSD é um descalabro alarmante.
Senhor
Secretário Regional, permita que lhe diga, que se V. Exa. fosse um chefe de
família era, estou certo disso, frequentador assíduo do consultório anti-crise
da DECO, dada a situação de falência eminente das contas regionais.
Mas
não é tudo, Senhor Secretário: V.
Exa. tem a desfaçatez de dar indicações no seu discurso de que este orçamento
promove a redução da despesa, designadamente a despesa corrente.
Senhor
Secretário das Finanças
V.
Exa. em 2007 disse o seguinte, e cito: “Estes números (o das despesas) traduzem
a indesmentível opção do governo na contenção dos gastos de funcionamento”.
Senhor
Secretário, sabe qual foi o
resultado? Olhando para a execução orçamental de 2007, vemos que as despesas
correntes não só não se contiveram como aumentaram 12,1%, quase 100 milhões de
euros.
Ora,
o mesmo se passou em 2008 e sabe-se lá o que se passará em 2009. Sendo,
obviamente, quase certo que a previsão para 2010 de redução da despesa não
passa de uma falácia, de uma mentira até porque a despesa e o desperdício não
diminui por decreto.
Mas
pior, não se conhecem nem decretos
nem iniciativas reformistas na acção governativa do PSD sobre esta matéria.
Há,
assim, nesta proposta de orçamento do PSD, um vício estrutural endémico, para
não dizer patológico, de apresentar
como um suposto equilíbrio o que está totalmente desiquilibrado. Uma tentativa
de mostrar a subir o que efectivamente desce e a descer o que todos sabemos que
cresce.
Esta
tendência, ou este traço que caracteriza a falta de seriedade orçamental não é
nova, é sistemática e, principalmente, é coerente com a natureza panfletária
que caracteriza o actual governo do PSD-M, que nasceu de uma mentira, em 2007,
que permanece numa ilusão e há-de acabar num golpe de mágica.
Mas
este simulacro de orçamento não é neutro para a economia e para as pessoas. De
algum modo, esta proposta envolve-nos a todos numa teia gigantesca:
.
de opções de política económica (ou mesmo de investimentos) disparatadas;
.
de interesses mascarados e perversos que condicionam decisivamente a
recuperação empresarial e o combate ao desemprego;
.
de prioridades destituídas de bom senso e de coerência na, necessária, defesa
de interesses comuns;
.
de métodos de relacionamento institucional que roçam os insultos mais profundos
e as calúnias mais pérfidas, atirando a capacidade e influência negocial, aspecto essencial de um governo cheio
de dependências (desde logo a de carácter financeiro), para uma zona de alto risco, pelo
elevado prejuízo que indicia;
.de
receitas duvidosas e de caminhos tortuosos para o financiamento de um
mirabolante plano de actividades onde a despesa fútil, inútil, imponderada,
insensata e até em alguns casos virtual, ocupa um lugar de privilégio.
.
de endividamento destemido mas irresponsável, não pela ausência de necessidade
de dinheiro mas pela origem da necessidade: provém de despesas e investimentos
displicentes e irreflectidos.
Senhor
Presidente
Senhor
Secretário
Senhoras
e Senhores deputados
Vale
a pena aprofundar algumas destas óbvias constatações:
Em
primeiro lugar, as opções políticas do PSD, inseridas neste orçamento, ou
simplesmente implícitas, resvalam para um sentido desnorteado da gestão pública
e asseguram a continuidade das fragilidades e artimanhas do governo do PSD.
Só
alguns exemplos:
.as
desorçamentações caminham a um ritmo alucinante desviando do controle
orçamental muitos milhões de euros que, mesmo fora da esfera do orçamento,
exigem compromissos da Região e resultarão em responsabilidades futuras junto
de todos os madeirenses.
Por
isso, as transferências correntes e de capital não param de crescer (são 534
milhões e correspondem a cerca de 35% da despesa total) para alimentar um monstro paralelo ao
orçamento que pomposamente chamamos Fundos e Serviços Autónomos (FSA) e para
Empresas Públicas. Este descalabro não foge à atenção do tribunal de contas que
por várias vezes alertou para a incoerência de criar FSA que fazem menos por mais.
Mas
não é tudo.
.
Se há erros que saltam à vista de todos, são as opções das sociedades de
desenvolvimento que continuam penalizar o orçamento. Depois de empréstimos de
500 milhões de euros, os investimentos não geram receitas nem para pagar o seu funcionamento.
A Região transferirá em 2010 cerca
de 6 milhões de euros para as ditas sociedades. Ora, a partir de 2012 começa o
famigerado pagamento do empréstimo
efectuado a estas sociedades. Se não houver libertação de meios, como parece
óbvio para todos, para pagar despesas correntes, quem pagará a divida?
Senhor
Secretário das Finanças
Repito
o lhe disse na discussão na 2ª comissão: somos favoráveis ao endividamento para
financiar investimento amigo do desenvolvimento, que crie emprego e que seja
sustentável.
Mas
este tipo de endividamento e de investimento a que o PSD submete o futuro da
região é inimigo do desenvolvimento e dos madeirenses: não cria emprego, não se
sustenta a si próprio e exige do orçamento verbas para o seu funcionamento.
Pior ainda este investimento afastou o investimento privado,
Estamos,
pois, no pior dos mundos e com esta governação o PSD coloca elefantes brancos às costas de todos os
madeirenses.
Ainda
no campo das opções, só mais um exemplo:
salta à vista a falência técnica da
APRAM e as transferências do governo para a empresa gestora dos portos da RAM,
sem qualquer exigência de
contribuição por parte do único operador privado, que goza de um monopólio
administrativo oferecido pelo GR, impondo custos elevados de transportes e
beneficiando de lucros obscenos e sem contrapartidas para a RAM.
Mas
mais hilariante, e ainda muito recente, é a noticia que dá conta do aumento das
taxas para pagar o passivo da APRAM, medida apresentada pela Senhora Secretária do Turismo e
Transportes.
Senhor
Secretário Regional das Finanças, o beneficiário principal da operação
portuária não paga um tostão, mas pagamos todos nós os seus lucros e os
devaneios deste governo de que V. Exa. faz parte.
É a justiça obtusa de um governo que se
deixa alucinar pelos seus truques, que alucina uma certa opinião publicada que
se deixa ludibriar, consciente ou inconsciente, mas que, mais tarde ou mais
cedo, vai bater de fundo com a realidade.
Em
segundo lugar, e quanto a interesses mascarados, vale a pena sublinhar que a
economia regional anda quase sempre a reboque de interesses do regime laranja e
da sua propaganda irresponsável que põe em causa o interesse regional:
perdemos
500 milhões da UE porque o governo não soube ou não quis colocar em cima da
mesa o efeito Zona Franca, perderam os madeirenses, ganharam os interesses
privados; temos os transportes mais caros da Europa porque o governo é incapaz
de reestruturar a operação portuária, perdem os madeirenses, ganham alguns
interesses privados;
somos confrontados com um turismo a
reboque de do time sharing e da frágil qualidade porque o governo é incapaz de defender
os interesses do destino; perdem os madeires ganham alguns interesses privados.
Ou seja: digamo-lo de um forma clara e
frontal: o alto Interesse Regional é inverso ao interesse mesquinho do governo do PPD e sectores que
vivem dependentes desse governo.
Em
terceiro lugar,
Senhor
Secretário das Finanças,
algumas notas para a sistemática
inversão de prioridades de investimento que o seu governo pratica, repare com
atenção, promove: campos de futebol em vez de hospitais; promenades em vez de
um complemento solidário de idosos; túneis em vez de reforço das condições de
diversificação da economia; financiamento de empresas públicas falidas em vez
de reforço da promoção do turismo; campos de golfe em vez de redução das taxas
aeroportuárias; desporto profissional com custos soberbos e retornos sofríveis;
em vez do reforço da educação; investimento público em restaurantes (mais de 70
nos últimos anos!) em vez de suporte incondicional ao investimento privado.
Em
quarto lugar, este orçamento não indicia um novo quadro de relacionamento
institucional, quando o que se impunha era uma nova forma de encarar as
necessidades financeiras da Região e estabelecer um novo patamar negocial,
assente nos argumentos e não na pressão insultuosa.
Deste
ponto de vista, estamos numa
espécie de“ mato sem cachorro”, permita-se-me a expressão. O PSD está obcecado
pela redução de menos de 1% da LFR, fazendo disso o único trunfo político que
sobrou do descalabro governativo pós-2007, papagueando pateticamente resultados
contraditórios, gozando, mesmo assim, de uma impunidade intolerável.
Mas
ignora ostensivamente a necessidade de garantir que a RAM poderá e deverá
recuperar fundos da UE a partir do quadro 2014-2020. Pior, finge não saber que
a Madeira pode ficar definitivamente no grupo das Regiões objectivo 2 e deixar
de auferir recursos da UE sendo totalmente substituídos por fundos nacionais,
implicando, por isso, uma atenção renovada à LFR, longe do oportunismo e demagogia que temos observado.
Por
tudo isto, caminhamos todos para o abismo a que nos conduz a governação do PSD
e, se tudo se mantiver como está, não tarda muito acabaremos todos encarcerados
na divida e no garrote governativo.
Senhor
Presidente
Senhor
Secretário
Senhoras
e Senhores Deputados
Este
orçamento não é um documento baseado nos princípios básicos da ciência
económica. Se fosse, estava chumbado, sem dó nem piedade.
Esta
proposta é um folhetim político que nos obriga a nos indignarmos severamente
pelo que ele representa e não termos nenhuma complacência a favor de um governo
prevaricador e lesivo do interesse comum.
Esta
proposta de orçamento retrata bem um governo dominado pelo vício patológico de
enrolar, enganar os outros e servir-se ostensivamente dos cidadãos numa
provocação miserável onde todos devem ser
peças de um jogo perverso.
Um
jogo, daqueles que arrastam as massas manipuláveis para exaltar um discurso
mitificado, grosseiro, mas que, objectivamente só tem para dar promessas
mirabolantes, todavia de consequências tenebrosas para o bem comum.
Não
o permitiremos e tudo faremos para construir um futuro em que nada disso seja
possível. A Madeira tem solução, este Governo é que já não tem remédio.
Tenho
dito
discurso proferido por mim, em nome do grupo parlamentar do PS M na discussão do ORAM 2010
Dar palpites não
é o mesmo que governar. É ainda pior que futurologia: é um pressentimento sem
fundamento.
Mas este governo
não governa. Dá palpites. É verdade que, algumas vezes, são criativos e
manipulados mas não deixam de ser palpites.
Logo no início
desta semana o Governo da Madeira apresentou uma proposta de orçamento
rectificativo para introduzir uma autorização de endividamento que, segundo uma
nota explicativa, destinava-se a pagar fornecedores da administração pública
regional que não recebem porque o Governo contratou mas não tem dinheiro para
os pagar. Nada de novo.
Mas se a dívida
do governo com os fornecedores deve ser paga quanto antes, a origem dessa
dívida e a irresponsabilidade de a contrair sem a garantia de receita para
cumprir compromissos assumidos, já merece reservas severas da minha parte.
Mas a discussão
passou ao lado do essencial. De facto, enquanto para o PSD o principal é a
autorização ilimitada de endividamento, para mim o fundamental é a origem da dívida e a ousadia de assumir
compromissos sem garantia de os cumprir. Este palpite grosseiro do PSD
comprometeu a vida das empresas e provoca complicações significativas na
dinâmica da economia regional, tendo em conta o peso do sector público da
Madeira.
Mas, menos de 12
horas depois, o PSD, com a apresentação do orçamento para 2010, voltou a pedir
mais dinheiro. Numa assentada pediu mais 230 milhões de endividamento directo, mais 290 milhões de
avales, mais 158 milhões de operações extraordinárias que o Tribunal de Contas
também considera endividamento. Tudo junto ascende a quase 700 milhões de
euros. Pouca coisa. Só representa mais de 45% do total do orçamento. Ou seja,
este endividamento supera largamente o valor do total do plano de investimentos
(grande parte dele um autêntico rol de dívidas de projectos já executados mas
ainda por pagar!) significando que o Governo já pede dinheiro para pagar o
funcionamento da administração pública
e as dividas do passado, que ultrapassarão em 2010 os 5 000 milhões de euros,
traduzidos em vários formatos de dívida: a divida junto da banca (são mais de
1100 milhões de euros), a divida através de avales que consubstanciam dívida
efectiva (1500 milhões), a divida
de operações complexas como a venda de créditos (150 milhões), a dívida através
de engenharias financeiras, como a vias litora e expresso (1 000 milhões de
euros, sem contar com encargos), a divida configurada em hipoteca de activos de
investimento (150 milhões), a divida
do Sector Público Empresarial (1 000 milhões) e a divida junto aos
fornecedores.
Assim governa o
PSD, com dinheiro emprestado (que pagarão todos madeirenses) numa lógica de
regabofe, traduzida pela aplicação incoerente e insustentável dos recursos
solicitados.
Teoricamente o
endividamento é aceitável para
despesas de investimento. Na prática, é indispensável que esse investimento
seja útil e amigo do desenvolvimento. Ou seja, um investimento que crie
riqueza, emprego e que se sustente por si. Que possa gerar receitas para num
prazo determinado, e adequado, amortizar o dinheiro pedido e gerar meios para
pagar o funcionamento do investimento. Esta não é uma teoria minha. É assim, a
ciência económica. Por isso, endividar-se por palpite em investimentos
tresloucados, inúteis e insustentáveis coloca em causa seriamente o futuro da
Região. Contudo, é fácil perceber que com esta acção governativa perdem os
madeirenses mas ganha um novo fôlego o governo do PSD.
No debate da ALRAM o Senhor Vice Presidente acabou de fazer uma intervenção de manipulação criativa. Ora, é por estas e por outras que se compreende melhor o défice democrático da ALRAM. O Sr. Governo fala e não é possível a réplica. Isto não é debate mas uma espécie...
No fim do primeiro dia de debate do Orçamento para 2010, o grupo Parlamentar do PSD Madeira (através do Jaime Ramos) ousou "arranjar por baixo da mesa" uns minutinhos para o Jaime Filipe Ramos (i.e., para o seu estimado filho) de modo a que o encerramento deste primeiro dia não fosse feito por mim ou pelo deputado Baltazar. Uma decadência! Inventar tempo sem ter disponibilidade é baixar muito o nível. É ultrapassar todos os limites da democracia parlamentar. Pior. O Senhor Presidente da ALRAM, que devia ser o garante do bom andamento dos trabalhos e do respeito pelo regimento (já de si anti-democrático e pró PSD), não teve outro remédio senão "fabricar" esses famigerados minutinhos para o PSD...
Definitivamente tenho de dizer isto, mesmo que não seja politicamente correcto: A RTP Madeira mantém um programa que pomposamente diz ser de "análise da semana" mas é uma miserável propaganda jardinista (ou próximo dela) resultando numa exuberante falta de pluralidade. Mais uma vez lamentável ver os ditos comentadores sempre de acordo um com o outro e sempre prontos a bajular o óbvio regabofe do governo regional da Madeira tendo o desplante e pouca vergonha de encontrar nesse devario governativo factores positivos. Francamente!
Registo também que para a análise da semana (nem para os ditos senhores) não tem nenhum interesse o chumbo do PSD ao descongelamento de carreiras dos funcionários públicos e professores proposto pelo PS Madeira. Nem uma leitura política que seja.... Se fosse da responsabilidade nacional estou certo que cairia o "carmo e a trindade"... Enfim é o que temos de televisão pública e é por isso, também, que a democracia está doente e não apenas por causa do regimento da ALRAM...
O PSD, o CDS e o MPT (curioso, não vos parece?) votaram contra a proposta do PS Madeira de descongelar as carreiras do funcionário públicos e dos professores, garantindo o pagamento já em 2009 de parte dos rectroactivos referentes à progressão na carreira. Para o PSD só há um sector da sociedade e da economia que interessa e que deve merecer a sua atenção e compreensão: as empresas. Por isso, votaram contra os professores e os funcionários púbicos.
1.Se
há coisas que devem envergonhar, fazer corar de vergonha, o governo é ser
caloteiro. Mas o mais grave é que o Senhor Governo está-se nas tintas para esse
posicionamento. Limita-se, imaginem, a dizer que a culpa é dos outros...
2.Mas,
Senhor Secretário, a vergonha de ser caloteiro não é só por não ficar bem. É
por ficar claro que o Governo é irresponsável, imprudente e desleixado. É
perceber que essa atitude custa bastante mais aos madeirenses: entre 2006 e 2008
os juros de mora dos Encargos Assumidos e Não Pagos (EANP) cresceram 60%.
3.Mas
os EANP ainda reflecte um outro problema: a falta de seriedade na programação
orçamental. O Governo estabelece as despesas com sofreguidão eleitoral e depois
inventa receitas.
4.Assim
garante o cabimento orçamental mas não a disponibilidade financeira. Portanto,
a primeira observação é lamentar que nada tenha mudado mesmo com o prejuízo
provocado nas empresas madeirenses.
5.Sendo
assim, interessa avaliar a questão do orçamento rectificativo. Os fundamentos
apresentados têm razões fortes, não pelo embaraço do governo, mas pelo prejuízo
que provocam nas empresas envolvidas e o efeito na economia e emprego.
6.Mas que fique claro que não passaremos uma esponja nas opções
de investimento do GR e na insensatez de contractualizar sem condições de o
fazer. Não apoiamos o governo neste desvario. Nesta praga que começa a roçar um
traço de governação.
7.Temos
sim consideração pelas empresas que em boa fé aceitaram trabalhar para o GR e,
em contrapartida, de má fé o Governo deixou-as penduradas.
8.Por
isso, duas notas devem ser sublinhadas: esperemos bom senso nos investimentos
futuros e, sobretudo, contratualizações seguras e de boa fé assentes numa boa
gestão de dinheiros públicos
9.Mas,
o mais grave de tudo isto, Senhor Secretário, é que o Governo há muito que
devia ter apresentado um orçamento rectificativo e não apenas no lado da
receita mas principalmente nas despesas de modo a suportar os problemas sociais
e relançar o sector privado.
10. Nós, como V. Exa. sabe apresentámos uma proposta no inicio do
ano e, de forma irresponsável, foi reprovada pelo PSD. A proposta de orçamento
rectificativo que apresentamos constituía uma lufada na governação
11.e sublinho tudo isto para dizer que
não admitimos, o grupo parlamentar do PS
Madeira não admite, que alguém desta casa ou fora dela tenha o desplante de nos
dar lições de solidariedade e preocupação com os madeirenses.
12.O
PSD e o Governo Regional não sacuda a água do capote porque o problema de EANP
não surge por obra e graça do divino espírito santo. É da responsabilidade do
PSD e portanto era bom que mostrassem um bocadinho de humildade
e reconhecessem a sua total responsabilidade. Era o mínimo esperado de um
governo decente.
13.Não
vale a pena tentar passar ao lado do problema: a discussão séria e relevante
não é autorização de endividamento. É a existência de um descalabro das contas
regionais que coloca as empresas em apuros quando se relacionam comercialmente
com o governo.
14.Defendemos e estivemos ao lado da
aprovação da proposta de mais endividamento mas não pelo Governo, mas sim pelas
empresas.
15.O que se percebe hoje, mais uma vez, é que se não existisse um
orçamento rectificativo nacional, os EANP continuariam a engrossar e a
penalizar o sector privado da Madeira, sem esperança para as empresas que
aceitaram trabalhar para o governo. Aparentemente o Senhor GR não tinha
alternativas.
16.Mas a dívida administrativa não é
um problema novo: em 2006 os EANP correspondiam a 270 milhões de euros. Em 2008
o Programa Pagar a Tempo e Horas, criado pelo governo da república foi um fato
à medida da Madeira que utilizou 80% do programa e pagou 256 milhões de
atrasados...
17.Hoje, já ninguém sabe qual o
montante efectivo dessa dívida mas de uma coisa sabemos: o governo regional não
aprendeu nada e continuou a gastar sem ter recursos disponíveis e, portanto a
aumentar a dívida administrativa.
18.É por isso que o Prazo médio de pagamentos
da Madeira varia entre 300 e 202 dias enquanto os Açores entre 15 e 20 dias.
19.Mas vale a pena referir o exemplo
da governação dos Açores, mais uma vez: eu esta semana tive, mais uma vez, vergonha de ser governado por um
governo despesista onde o regabofe é a regra.
20. Nos Açores o respectivo governo não quer/não precisa de
endividamento. Não tem EANP, tem uma
divida directa que é 1/3 da da Madeira e a indirecta é ¼ da nossa. Nada disto é
por acaso. Mas com tudo isto os Açorianos ainda beneficiam de:
a.menos
impostos às famílias e às empresas
b.maiores
salários
c.mais
apoios sociais; aos idosos (complemento solidário), aos jovens (passes
altamente subsidiados, viagens inter-ilhas a 1 euro), aos funcionários públicos
(maior subsídio de insularidade e descongelamento da progressão na carreira)
Há uma certa oposição na Madeira que gosta do poder mas reconhece que só lá chega a reboque. Assim o melhor caminho é fazer o discurso do PSD. Mesmo que, de vez em quando, façam umas criticazinhas. Mas, daquelas que não chateiam muito!
A Senhora Secretária do Turismo e Transportes defende hoje a possibilidade de aumento das taxas portuárias argumentando que é uma medida anti-crise. De facto este governo do PSD andou a estudar economia em manuais escritos do avesso, porque é incompreensível (mas bastante grave) que em tempo de crise a Secretária decida fazer precisamente o contrário do que os agentes esperam: baixar o preço dos transportes. Na verdade todos sabemos que a APRAM está falida técnicamente mas sabemos que a razão prende-se com a ausência de contrapartidas da OPM à APRAM.Na verdade a dívida da APRAM é resultado da ausência de receitas da APRAM que numa situação normal devia receber da OPM (como acontece nas concessões de todos os portos do país!). Ora, como a Secretária não quer penalizar (tem o mesmo comportamento que Santos Costa) a OPM, empresa do Regime, resolve penalizar as familias e as empresas da Madeira que deverão pagar o passivo da APRAM. Bem visto, não acham? Rasgadinho e inteligente.
É por essas e por outras que se encaixa que nem uma luva (?) os comentários de muita gente, dita imparcial, sobre os pedidos desesperados de autorização para mais endividamento. Na verdade está tudo sob controle: pede-se dinheiro emprestado e obriga-se o povo a pagar. Entretanto, continua-se a penalizar o povo e as empresas desde que se beneficie os interesses do regime. Mas isto, não tem qualquer interesse. na verdade, o melhor é continuar a comentar as declarações infelizes do ministro das finanças e sublinhar que o Senhor em causa é o 4º pior da europa (porque isso, na cabeça de alguns, é que afecta o estado da economia regional!). Se calhar era boa ideia promover o Dr. Garcês a Ministro!
Dizem-me que o povo quer muito dinheiro, venha de onde vier. Dizem também que os que votam não querem nenhum ónus com a aplicação desse dinheiro (o ideal mesmo é que seja burn money). Além disso, também me dizem que a receita é ter abundância de recursos (venha de onde vier e venha a pagar quem vier) e, sobretudo, quando não se obtem esse dinheiro é preciso ter um culpado de modo a não cair em cima de quem governa as fragilidades governativas. Se for assim, tudo se "resolve em festa". Portanto, não se entende o esforço daqueles que reclamam por rigor ponderação e boa aplicação dos recursos públicos. Por tudo isto também não entendo. Burros!
O PS permite mais 76 milhões de endividamento à Madeira. A redução do pedido de endividamento fazia parte de uma exigência do PS de modo a poder permitir a sua aprovação. O PSD acabou por ceder nesta matéria garantindo mais 76 milhões de endividamento mas obrigando ao PSD Madeira a encontrar soluções para pagar a totalidade dos EANP aos fornecedores. Sobre isto, e a bem dos fornecedores que não têm culpa da falta de rigor e responsabilidade do governo do PSD, o PS Madeira já apresentou uma solução: basta aprovar a alterção ao ORAM 2010 e aceitar o inclusão do programa "Pague Já" proposto hoje mesmo.
O GR demitiu-se em 2007 porque queria fazer as obras devagarinho de modo a respeitar compromissos. Ora, hoje já sabemos que AJJ não fez nada disso. Assumiu compromissos de forma irresponsável e agora quer atirar responsabilidades para os outros. Isto é muito grave e se juntarmos o que se passou esta semana este GR devia demitir-se em bloco! Este era o único caminho sério e responsável que poderia contribuir para resolver o grande problema da Madeira: o próprio PSD.
Ao longo dos últimos anos o Governo Regional da Madeira tomou opções
de política que conduziram a Região a uma situação de calamidade
económico-social.
A análise de proposta do Orçamento da Madeira para 2010 demonstra
que a Região tem necessidades externas de financiamento que ascendem a 40% do
Orçamento. Ou seja, o ORAM 2010 será financiado por 40% de receitas
extraordinárias e por endividamento externo. Sendo que apenas 60% serão
receitas próprias.
Ora, uma situação desta natureza implicava uma governação adequada
que reúna dois princípios básicos: opção
por políticas ponderadas e responsáveis, na despesa e no investimento; e forte
habilidade negocial.
Marcha atrás na qualidade
de vida
Na prática, a Madeira, cada vez mais, precisa de um governo forte,
credível e com capacidade negocial. Sem estas condições muito dificilmente será
possível manter os níveis de vida dos madeirenses, obrigando-nos a uma marcha
atrás brusca na nossa qualidade de vida.
Pouca influência e fraca
capacidade negocial
Mas, para mal de todos os madeirenses somos fortemente prejudicados
pelo pior dos dois mundos: temos um
governo que ostenta más opções políticas
e um governo que demonstra não estar à altura dos desafios externos que
as negociações de alto nível exigem.
Esta incapacidade negocial, esta ausência de competência para abrir
os corredores da diplomacia institucional a favor dos madeirenses já teve
conseqüências graves:
Foi por isso que já perdemos 500 milhões da UE;
Foi por isso que negociamos mal a Lei das Finanças Regionais;
Foi por isso que não temos uma liberalização aérea com discriminação
positiva para os madeirenses
Foi por isso que o quadro dos apoios comunitários excluem a Madeira
de um conjunto de matérias relevantes, isolando as empresas regionais do resto
do pais;
Aos poucos o PSD da
Madeira, através de uma afronta grosseira e gratuita perante as instituições
relevantes do pais, promoveu o isolamento institucional da região e, com isso, retirou margem de manobra para a resolução de
problemas decorrentes da dependência da RAM de fundos externos e da
mediocridade das opções governativas.
Como uma falência nunca
vem só
Ora, o PSD já levou a democracia à falência, o PSD já levou à
falência a própria autonomia e agora
prepara-se para levar à falência a própria região colocando-a perigosamente à
mercê da bancarrota.
Por isso ALGUÉM tem de
intervir neste destino perigoso que o PSD nos arrasta,
Os tempos de hoje são, por isso, de Alto Perigo. Um perigo que vem
de quem não assume responsabilidades dos seus actos e da sua própria actividade
governativa. O PSD Madeira passou a ser
parte do problema da Madeira.
A dívida a fornecedores: a
praga jardinista
Os atrasos severos aos fornecedores das PME’s da Madeira é uma praga da governação Jardinista.
E a situação hoje só não é pior porque o Programa do Governo da
República, “Pagar a Tempo e Horas” permitiu resolver muitos desses problemas (a
Madeira foi a Região mais beneficiada).
Mas, infelizmente não resolveu tudo até porque o desatino governativo que conduz a encargos assumidos e não pagos
manteve-se e por isso voltou a crescer a divida administrativa da Região.
O bluff do PSD
Perante este problema, da responsabilidade do PSD Madeira, este
tenta transferir responsabilidades para a república.
Numa absurda acção de histeria legislativa a partir da Assembleia da
República o PSD Madeira propõe uma batota aos empresários madeirenses,
oferecendo -lhes uma expectiva já viciada: PSD Madeira não tem peso negocial
nem credibilidade institucional que lhe permita garantir as soluções para os
problemas que cria.
Orçamento rectificativo da
RAM: um processo quase patético
Ora, hoje sabemos que nem o PSD Nacional manterá a proposta do PSD
Madeira de autorização do endividamento no orçamento rectificativo nacional,
colocando em causa o rectificativo da Madeira, proposto pelo PSD M e, sobretudo, mostrando ao PSD M o que vale o
insulto, a grosseria, a ofensa e descredibilização institucional, além do
desnorte processual e governativo. Foi esse o contributo do PSD Madeira
para garantir em troca o endividamento para tapar os buracos que cava sem
qualquer rigor ou responsabilidade.
Os compromissos do GR têm
de ser regularizados
Mas se o folclore do PSD de para o torto , o problema persiste e não
pode ser ignorado.
O grupo parlamentar do PS Madeira repudia as afirmações do Governo
Regional sobre o futuro dos pagamentos às empresas, chutando responsabilidades
para “os outros”.
Proposta de alteração ao
ORAM 2010: Programa “Pague já”
Por isso, o ORAM 2010 tem de apresentar soluções objectivas para
esta questão, tendo em conta a gravidade da mesma e o impacto negativo na
economia e no emprego. Desta forma, apresentaremos uma proposta de alteração ao
ORAM 2010 denominado programa “Pague Já” que terá 3 aspectos essenciais:
1.pagamento, até Junho de 2010 de todos os EANP que configuram a
dívida administrativa do Governo Regional;
2.estabelecimento de um programa especifico para utilização das
autarquias da RAM e Sector Público Empresarial da Região de modo a garantir,
durante 2010, a normalização dos pagamentos a fornecedores
3.Garantir, a partir do segundo semestre de 2010, um prazo médio de
pagamentos de 60 dias, com penalizações concretas e objectivas para
ultrapassagem deste limites.
Isto é hilariante. Nem o PSD nacional dá crédito ao PSD Madeira. Segundo consegui apurar, o PSD retirou a proposta de autorização de endividamento da Madeira do Orçamento Rectificativo. Se haviam dúvidas da falta de capacidade negocial do PSD esta constatação permite esclarecer quem ainda tinha dúvidas!
A proposta da LFR era tão má tão má que nem o PSD teve lata de discuti-la no plenário: baixou à comissão e obviamente deverá ser corrigida. Esperamos no sentido certo!
Lembro aqui o que disse esta semana: até Sexta Feira o rectificativo regional é uma presunção! E pelos vistos tinha razão. Segunda- Feira o que vai acontecer?
O aumento do endividamento da Madeira tem votos contra de toda a esquerda. E agora, o que acontece à proposta do GR de um rectificativo que aumente a dívida?
Hoje de manhã apresentei, em nome do grupo parlamentar do PS M,três propostas que demonstram sobretudo 4 coisas:
que é possível ser mais arrojado, mais corajoso e mais determinado em termos orçamentais;
que é possível colocar a política fiscal ao serviço das pessoas;
que é possível ter uma política fiscal mais pro-activa a favor da resolução de problemas;
que é possível colocar a economia ao serviço da resolução dos problemas sociais.
Assim, além de propormos um novo imposto regional que penaliza as concessões em prol de um combate mais sério e justo à crise, propusemos também um imposto que permite internalizar os custos ambientais provocados por aqueles que exploram actividades de extracção de inertes e uma repartição mais justa para o imposto rodoviário canalizando 50% para aspectos de caracter social. Tudo isto seria concretizado com a criação de um Instituto Roteiro Social.
Na prática, o que fizemos foi inovar, diversificando as fontes de receita regionais, e a sua
afectação.
A
criação de um Imposto sobre o
Património Mobiliário das Empresas Titulares de Concessões de Serviços Públicos
na Região Autónoma da Madeira permite atingir sectores que operam em regime de
monopólio, tendencialmente imunes às vicissitudes da conjuntura económica, com
a inerente capacidade contributiva, redistribuindo a receita fiscal assim
gerada pelas camadas mais desfavorecidas da população. Trata-se, pois, de uma
medida anti-cíclica, que permite desviar meios do património de quem aufere
rendas monopolísticas para aqueles que mais duramente são atingidos pela crise.
É fundamental medidas que compensem de forma clara e decisiva as franjas da
população mais afectadas pelas más opções politicas de desenvolvimento
económico.
Já a criação de uma Contribuição
Especial sobre a Extracção de Inertes na Região Autónoma da Madeira se insere
nas modernas preocupações ambientais, tão mais importantes quando a principal
fonte de receita da Região continua a ser o turismo. Tal possibilidade está
contemplada no artigo 47.º, n.º 3, da Lei das Finanças das Regiões Autónomas,
que prevê as “(…) contribuições especiais tendentes a compensar as maiores
despesas regionais decorrentes de actividades privadas desgastantes ou
agressoras dos bens públicos ou do ambiente regional.” Ora, o desgaste do meio físico, o ruído
e os danos de imagem que as pedreiras provocam justificam, com toda a
propriedade, a incidência da presente contribuição especial.
Quer a receita do Imposto sobre o
Património Mobiliário das Empresas Titulares de Concessões de Serviços Públicos
na Região Autónoma da Madeira, quer a da Contribuição Especial sobre a
Extracção de Inertes na Região Autónoma da Madeira, seriam devidas já em 2010,
com a aprovação das contas do exercício económico anterior, permitindo captar
recursos preciosos que, juntamente com uma percentagem da Contribuição
de serviço rodoviário regional, seriam consignados ao Instituto de Gestão do
Roteiro Social, a criar, para prosseguir fins junto das camadas da população e
das áreas mais desfavorecidas da Região, bem como acções de combate às bolsas de pobreza da RAM.
Caso a proposta do PSD Madeira, no Orçamento Rectificativo do Governo da República, de aumento de endividamento, for rejeitada na AR na Sexta Feira, qual o destino do orçamento rectificativo do governo regional do PSD Madeira que irá (?) ser discutido Segunda Feira? Continuará a existir enquadramento para esta abordagem do PSD?
Apesar da fuga do governo às explicações
claras sobre a dívida da Madeira, foi possível recolher dados, apesar de
dispersos, que nos levantam fortes preocupações em 2009 e que o orçamento de
2010 pouco ou nada resolve.
A dívida directa da Madeira já ultrapassou os 1 000 milhões
em 2009 se consideráramos os Encargos Assumidos e Não Pagos que estão
escondidos. Para 2010, prevê-se aumentos significativos se se concretizar o que
está previsto, a dívida directa poderá
facilmente se fixar nos 1 200 milhões.
A dívida indirecta já ultrapassou os 1 200
milhões e os 290 milhões previstos no ORAM, a se concretizarem colocam esta divida na ordem dos 1 500
milhões.
A dívida do Sector Público Empresarial não
avalizada ronda os 1 000 milhões
A dívida da titularização são mais 150
milhões.
A dívida da PATRIRAM são 150 milhões
A divida da Via Expresso são 500 milhões
A divida da Via Litoral são 500 milhões
Continuamos sem saber o que aconteceu ou
acontecerá à operação Via Madeira (eram mais 500 milhões)?
Continuamos sem confirmação se a Via Expresso
entregou, ou não, mais 300 milhões
ao Governo?
Ora, tudo isto são factores fortes de
preocupação. Não apenas por causa do endividamento mas sobretudo pelo destino
desse endividamento e pela insustentabilidade dos projectos que não libertam
margem para pagar os empréstimos.
Estamos perante um endividamento assustador e verdadeiramente
preocupante. Se tivermos em conta o custo deste endividamento (através da
avaliação às operações anteriores, quer da Via Expresso, quer da Via Expresso),
podemos estar a falar de um endividamento encapotado e distribuído por
engenharias financeiras de má fé e contrárias aos interesses dos madeirenses, na ordem dos 5 000 milhões de euros.
Estamos a falar de um valor que já ronda os 125% do PIB. Este assunto
merece um esclarecimento urgente e uma explicação clara de como pensa o Governo
do PSD pagar estas responsabilidades.