Fiquei a saber, para grande surpresa minha, pelo DN da Madeira, edição on-line, que o Juiz Paulo Gouveia decidiu pela perda de mandato de alguns vereadores que se esqueceram de enviar, na altura adequada, a declaração de património. Entre esses vereadores (até ao momento apenas (!?) três) estou eu próprio, vereador na Câmara Municipal do Funchal, cargo sem pelouro e portanto não executivo. Sobre esta matéria, não posso deixar de fazer os seguintes comentários, sem prejuízo de uma declaração formal, inserida noutro contexto: em primeiro lugar, a perda de mandato é, obviamente, um assunto muito sério e significa que o poder dado pelo povo é retirado pelo poder judicial. Ora, tal deve acontecer em situações que assim o justificam e, em meu entender, não podem, em circunstância alguma, significar uma desproporcionalidade atípica face ao universo de casos. Posso estar absolutamente enganado, mas não parece existir uma razão de facto para esta decisão, sobretudo se a analisarmos numa perspectiva relativa, sem preocupações de forma; em segundo lugar, estamos perante uma forte machada na justiça e um (mais um) contributo decisivo para a sua descredibilização. Estou certo que ninguém entende que face ás graves violações ( urbanismo, enriquecimento ilícito, sacos azuis,...) que vários executivos camarários vêm praticando, aos olhos de todos, não estejam os tribunais administrativos repletos de situações de perdas de mandato, "requeridas" pelo próprio ministério público. Em contrapartida, perdem mandatos vereadores não executivos, sem pelouro e sem qualquer possibilidade de intervenção na condução da actividade autárquica, porque não enviaram a declaração de património dentro do prazo. Ainda por cima, uma declaração absolutamente inútil, porque não sofre qualquer análise ou tratamento e serve, apenas, para acumular papel no tribunal; em terceiro lugar, parece que vivemos numa espécie de mundo ao contrário onde as prioridades aparecem invertidas, preferindo-se actuar severamente junto de cidadãos esquecidos embora insuspeitos e deixar para um plano de prioridade desconhecida as efectivas prevaricações que colocam em causa o bem comum.
Tenho a consciência tranquila que não violei a confiança do povo que me elegeu. Mas, infelizmente, o excesso que esta decisão traduz, em comparação com uma actuação por defeito, ou até inexistente, no plano da actuação política, mas com actores que têm responsabilidades efectivas na condução da coisa pública, deve-nos deixar a todos preocupados. Estou certo que muitos concordarão comigo. De resto, manterei, como não podia deixar de ser, o respeito pela justiça e acatarei as suas decisões. Durante esta semana anunciarei a minha posição formal sobre esta matéria.
quarta-feira, 4 de julho de 2007
Excesso incompreensível
domingo, 1 de julho de 2007
Vitória
Claustrofobia democrática
Autonomia/Democracia
Sem brilho e esperança
Arrogância desnecessária
sábado, 30 de junho de 2007
Stop and go
O Senhor Presidente do Governo Regional já nos habituou a uma intervenção do género "stop and go ", usando uma expressão que caracterizava a condução da política económica em Portugal nos anos 70. Tal como no caso da economia, também na perspectiva da actividade politica e, sobretudo, tendo em atenção a sua eficácia, esta maneira de estar corre um risco sério de ser pouco consequente. Ou seja, se são sérias e genuínas as intenções de normalizar o mau relacionamento do Governo Regional com o Governo de José Sócrates, é preciso mais, muito mais, do que aproveitar um discurso ou outro para afirmar que quer "paz" (?) e, no momento seguinte, assumir um comportamento que traduz o contrário das suas intenções, lançado todo o fogo possível contra a governação e ameaçando, destemidamente e sem ponderação, com os tribunais. Esta forma de estar tem feito escola na Madeira e poucos importam-se que o Senhor que nos governa tanto diga uma coisa agora e outra precisamente ao contrário no dia seguinte. Contudo, tenho sérias dúvidas que este tipo de posicionamento seja bem sucedido noutro contexto. Apesar de tudo a incoerência é, pelo menos, reveladora de um tipo de personalidade.
sexta-feira, 29 de junho de 2007
os riscos que os bancos não querem correr II
Sei, e não corro o risco de me enganar, que a capital de risco do IDE, recebeu propostas de candidatura e nunca se dignou a responder. Depois de ter passado 1 ano, os promotores esperam pacientemente, mas, certos que a alavancagem do hipotético negócio não será feita com a ajuda deste instrumento de politica económica.
Parece ser relevante dizer que, independentemente da qualidade dos projectos e admitindo que estes não cumprem o essencial dos critérios de risco do banco e do IDE, era desejável que recebessem uma resposta indicando as razões da recusa ao financiamento. Enfim...
A RTP Madeira
No Tribuna da Madeira de hoje o jornalista Juan Fernandez refere-se á situação da RTP Madeira na sequência do meu artigo de opinião. Antes de mais, quero agradecer ao Juan a sua contribuição para estimular este importante debate, sem complexos e com objectividade. A sociedade e a comunicação social, no geral, habituou-se a esconder o que incomoda, a encolher os ombros e a fazer de conta...
Sem prejuízo de voltar a este assunto, ou melhor, assumindo que voltarei a este assunto, quero dizer que, naturalmente, existem responsabilidades claras daqueles que têm tido, ao longo dos anos, a capacidade de decisão na escolha dos principais protagonistas da RTP e RDP Madeira. Esta questão, num ambiente democrático saudável e participativo, mereceria, pelo menos, um debate alargado. Infelizmente, como é habitual, poucos são aqueles que estão disponíveis para reflectir sobre o assunto e, ainda mais grave, os visados directos não dão sinais de estarem disponíveis para um esclarecimento digno e elevado. Como se viu, preferem, na sua singela perspectiva "serem fortes com os fracos", mostrando a todos o que valem e, sobretudo, o que nunca serão: isentos e sérios.
Aguardo serenamente o dia em que a pluralidade seja uma realidade indefectível e, nessa altura, terei a certeza de estar a viver em democracia. Até lá, não vou baixar os braços...
O risco que os bancos não querem correr
O financiamento das empresas é um tema fundamental para o desenvolvimento económico. Cada vez mais é indispensável a existência de meios alternativos de financiamento ao investimento privado de modo a garantir a criação de riqueza e, por essa via, a criação de emprego.
Ontem, na RTP Madeira, ouvi o responsável pelo IDE - Instituto de Desenvolvimento Empresarial da Madeira, Dr. Jorge Faria, referir que o fundo de capital de risco que o governo criou em parceria com o BANIF ( enfim, devia ser que concedeu a sua gestão ao BANIF, o que é manifestamente diferente) ainda tem 2 milhões disponíveis para investimentos. Sobre esta questão era útil saber:
1. que investimentos já foram apoiados e em que áreas?
2. como se compreende que a divulgação da existência desta entidade, supostamente facilitadora de finaciamento, seja demasiado discreta;
3. quais as iniciativas de empreendedorismo capazes de gerar projectos potencialmente utilizadores dos meios financeiros existentes. É isso que se espera de uma entidade pública.
4. Qual a relação desta entidade de capitald e risco com as associações empresariais, com a Universidade, com o Tecnopolo, com o Centro de Empresas e Inovação da Madeira.É aí que estão os potenciais empreendedores.
5. Quais os critérios usados pelo BANIF para a análise de projectos elegíveis? Uma análise típica de risco? Então a Região disponibiliza um fundo de capital de risco e permite que os projectos sejam analisados exclusivamente na perspectiva de análise de risco ( e na perspectiva das clientelas do banco) onde está o interesse público? Quem o garante?
Bom, na verdade, os meios alternativos de financiamento, como o capital de risco, só cumprirão o seu papel de forma adequada se os seus promotores estiverem em condições de correr riscos, de outra forma é mais um empréstimo bancário transvestido de capital de risco. Além disso, as entidades públicas têm de entender, de uma vez por todas, que os bancos não sabem, não querem e não é o seu objectivo, acautelar o interesse público.
Avales problemáticos II
O volume financeiro das operações avalizadas pela RAM cresceu 63%. Se compararmos com 2003 o acréscimo foi de 130%!
Avales problemáticos
No mesmo relatório do tribunal de contas, e sem querer fazer futurologia, estão referenciados os valores realtivos a 2005 decorrentes de situações de incumprimento por parte dos devedores em que a Região tinha sido avalista. Ou seja a Região, só em 2005, foi chamada a honrar a sua posição de avalista, pagando 1.717.033,96 Euros, relativamente aos seguintes beneficiários:
Irmãos Castro
Machipesca
Coopescamadeira
Sousas e Cabral
Sófritos
Mas esta não é uma situação isolada. É recorrente, conforme refere o relatório do Tribunal de Contas sublinhando, pela importância dos seus montantes, os que se referem aos irmãos Castro que já perfazem a módica quantia de 2,1 milhões de euros.
Uma outra nota é que os pagamentos por execução de avales apresentaram um crescimento de 100%.
Sinais dos tempos!
Nova dívida
De uma leitura diagonal do relatório do tribunal de contas sobre a conta da Madeira de 2005, fiquei surpreendido com uma nota que faz referência a elementos fornecidos pela Direcção Geral do Tesouro que, em seu entender, comprovam a existência de uma dívida ( mais uma!?) da RAM ao Estado, referente a pagamentos pela execução de avales, ocorridos nos anos de 1988 e 1989, no valor de 30 milhões de euros, ao qual acrescem 52,1 milhões, relativos a juros de mora e ainda 3,6 milhões relativos a taxas de aval, perfazendo um total de 85,7 milhões.
Diz o relatório que a discordância quanto à existência desta dívida, reclamada pelo Tesouro e não reconhecida pela Região, tem sido focado em relatórios anteriores sem que a situação se tenha alterado.
Bom, voltarei a este tema porque me parece estarmos perante uma situação que inspira "cuidados"...
Desafio
Tenho mantido uma resistência particular ( sem qualquer fundamentalismo) a uma participação activa na blogosfera, por razões que são pouco relevantes para o caso ( pelo menos por enquanto). Contudo, o desafio de um amigo fez-me repensar. Assim, decidi contribuir para o debate e a reflexão sadia dos temas da actualidade, sobretudo com referência á realidade da Madeira. ..







